Quinta-feira, Setembro 06, 2007
Quinta-feira, Agosto 09, 2007
Balanço a meio da Volta
A falta de tempo impede-me de fazer um acompanhamento diário da Volta a Portugal neste blogue. Limito-me a alguns apontamentos, quando a oportunidade surge. Aqui fica o balanço em véspera de dia de descanso, equipa a equipa, por ordem de número dos dorsais.
Duja-Tavira: Venceu o prólogo e andou de amarelo até à quarta etapa. Tem trabalhado na frente do pelotão e mantém intactas as aspirações de ganhar a corrida com David Blanco. Quando é preciso, os homens de Vidal Fitas chegam a mostrar autoridade no comando das operações, como aconteceu na subida à Nossa Senhora da Ascensão. Apesar da força patenteada por Cândido Barbosa, continuo a pensar que David Blanco é o grande favorito e tem uma equipa fortíssima para defendê-lo.
Madeinox-Bric-Loulé: Até ver, os comandados de Emídio Pinto não estiveram nada bem. A grande aposta da equipa, o trepador André Vital, claudicou na Senhora da Ascensão e hipotecou parte das possibilidades de discutir a vitória. No mais, os louletanos, que tão boa conta de si deram durante a temporada, estão a dar uma pálida imagem nesta Volta.
Barbot-Halcon: Da equipa gaiense pode dizer-se o contrário do que referimos em relação à Madeinox. Depois de uma época fraquinha, os homens da Barbot-Halcon têm-se mostrado em grande forma na Volta a Portugal. Já conquistaram uma etapa e as camisolas da equipa são presença constante nas fugas, especialmente por intermédio de Celestino Pinho. Carlos Pereira tem razões para estar satisfeito, até porque os líderes da equipa, Carlos Pinho e Claus Möller mantêm intactas as possibilidades de obtenção de um lugar nos dez mais.
Benfica: Os encarnados têm sido vistos, corajosamente, na frente do pelotão. A equipa de Orlando Rodrigues tem sabido cumprir o papel de conjunto favorito à vitória. O que tem faltado é explosão. Javier Benitez não conseguiu vencer no seu terreno e José Azevedo, com uma corrida calculista centrada ma ideia de lutar pela vitória, não dá espectáculo. No entanto, Azevedo tem sido dos mais regulares e é um sério candidato à vitória final.
LA-MSS: Os maiatos mostram ambição, sendo uma das equipas que, com maior regularidade, passa pela frente da corrida. Ainda não ganharam nada, mas continuam na discussão da corrida. Xavier Tondo já se mostrou e poderá bem jogar os seus trunfos assim que cheguem as tiradas decisivas. É outro dos homens a ter em conta.
Fercase - Rota dos Móveis: O conjunto do Vale do Sousa, com o seu magro orçamento, não pode aspirar a muito mais do que a mostrar a cor das camisolas nas fugas e a vencer uma classificação secundária. Tendo isso em conta, podemos dizer que os homens de Mário Rocha têm feito o pleno. Os paredenses têm quase sempre corredores escapados e André Cardoso é o portador da camisola da montanha.
Riberalves-Boavista: Tiago Machado tem subido ao pódio todos os dias para vestir a camisola da montanha e está na discussão da corrida. Por aqui pode dizer-se que a prova está a correr bem aos axadrezados. No entanto, Manuel Cardoso, o ciclista mais vitorioso do pelotão nacional em 2007, ainda não "molhou a sopa" e a equipa, no seu conjunto, também não venceu qualquer etapa. Uma prestação mediana, que aguarda pelo desenvolvimento da corrida para que se possa afirmar se é um desempenho positivo ou negativo.
Liberty Seguros: Américo Silva tem razões para sorrir: Cândido Barbosa apresentou-se em superforma e já ganhou três etapas consecutivas, estando agora na posse da camisola amarela. O azar de Hector Guerra - queda na chegada à Senhora da Assunção - prejudicou a estratégia da equipa, mas, a par com o magnífico estado de forma de Cândido, terá ajudado a definir a liderança da equipa. O povo adoro Cândido Barbosa e o corredor de Rebordosa está a corresponder. Américo Silva não tem margem de manobra para apostar noutro ciclista.
Vitória-ASC: À semelhança de uma época sem grande brilho, a primeira parte da Volta a Portugal não está a correr bem aos vimaranenses. Contudo, Juan Gomis ainda pode ter uma palavra a dizer na disputa dos primeiros lugares. Aguardemos pelo desenrolar da corrida para cunhar com mais precisão aquilo que os comandados de José Augusto Silva têm feito.
Lampre-Fondital: A equipa Pro Tour italiana está a fazer o que é seu hábito em terras lusas: passear as camisolas, passe o exagero.
Saunier Duval - Prodir: Idem idem, aspas aspas.
Barloworld: O conjunto britânico está a brilhar menos do que tem sido hábito nas suas incursões por Portugal. Mas o português Hugo Sabido e o sul-africano John-Lee Augustyn são homens a ter em conta para as etapas que faltam, podendo vir a salvar uma prestação, para já, pouco entusiasmante do colectivo.
Relax-GAM: Oscar Sevilla tem estado entre os primeiros nas etapas planas, nas que são mais duras e também esteve no contra-relógio iniicial. Com pezinhos de lã, a Relax-GAM tem sabido posicionar o seu ás de trunfo, colocando-o em condições de ganhar a corrida. Se essa cartada falhar, a equipa guarda outro trunfo na manga, Francisco Mancebo, que se tem conseguido manter na discussão da prova, embora revelando-se menos capaz do que Sevilla.
Ceramica Panaria: Bruno Reverberi não veio passear a Portugal. Paride Grillo já ganhou uma etapa e mostrou classe nos sprints. Espera-se para ver se o técnico italiano tem alguma surpresa reservada para a montanha.
Team Slipstream: Sem brilho nem glória, os estadunidenses têm-se arrastado pelo pelotão.
Ceramica Flaminua: Muito activos nas tentativas de fuga, os transalpinos dão em suor o que lhes falta em classe. Pelo menos lutam. Já não é mau.
Karpin-Galicia: Os galegos estão a jogar na expectativa com o intuito de lançar Eladio Jimenez para a vitória. A equipa aparenta estar forte e coesa, pelo que há que ter atenção.
Fuerteventura-Canarias: Vicente Belda está a acompanhar a corrida da equipa que, não dirigindo oficialmente, vai coordenando à distância (mas não muita). A presença em Portugal do homem que, nos tempos da Kelme e da Comunitat Valenciana, costumava delegar as corridas portuguesas nos seus lugares-tenentes talvez queira dizer alguma coisa acerca dos objectivos da equipa. O ataque de David Bernabeu nas subida de ontem, em Santo Tirso, disse o resto.
Duja-Tavira: Venceu o prólogo e andou de amarelo até à quarta etapa. Tem trabalhado na frente do pelotão e mantém intactas as aspirações de ganhar a corrida com David Blanco. Quando é preciso, os homens de Vidal Fitas chegam a mostrar autoridade no comando das operações, como aconteceu na subida à Nossa Senhora da Ascensão. Apesar da força patenteada por Cândido Barbosa, continuo a pensar que David Blanco é o grande favorito e tem uma equipa fortíssima para defendê-lo.
Madeinox-Bric-Loulé: Até ver, os comandados de Emídio Pinto não estiveram nada bem. A grande aposta da equipa, o trepador André Vital, claudicou na Senhora da Ascensão e hipotecou parte das possibilidades de discutir a vitória. No mais, os louletanos, que tão boa conta de si deram durante a temporada, estão a dar uma pálida imagem nesta Volta.
Barbot-Halcon: Da equipa gaiense pode dizer-se o contrário do que referimos em relação à Madeinox. Depois de uma época fraquinha, os homens da Barbot-Halcon têm-se mostrado em grande forma na Volta a Portugal. Já conquistaram uma etapa e as camisolas da equipa são presença constante nas fugas, especialmente por intermédio de Celestino Pinho. Carlos Pereira tem razões para estar satisfeito, até porque os líderes da equipa, Carlos Pinho e Claus Möller mantêm intactas as possibilidades de obtenção de um lugar nos dez mais.
Benfica: Os encarnados têm sido vistos, corajosamente, na frente do pelotão. A equipa de Orlando Rodrigues tem sabido cumprir o papel de conjunto favorito à vitória. O que tem faltado é explosão. Javier Benitez não conseguiu vencer no seu terreno e José Azevedo, com uma corrida calculista centrada ma ideia de lutar pela vitória, não dá espectáculo. No entanto, Azevedo tem sido dos mais regulares e é um sério candidato à vitória final.
LA-MSS: Os maiatos mostram ambição, sendo uma das equipas que, com maior regularidade, passa pela frente da corrida. Ainda não ganharam nada, mas continuam na discussão da corrida. Xavier Tondo já se mostrou e poderá bem jogar os seus trunfos assim que cheguem as tiradas decisivas. É outro dos homens a ter em conta.
Fercase - Rota dos Móveis: O conjunto do Vale do Sousa, com o seu magro orçamento, não pode aspirar a muito mais do que a mostrar a cor das camisolas nas fugas e a vencer uma classificação secundária. Tendo isso em conta, podemos dizer que os homens de Mário Rocha têm feito o pleno. Os paredenses têm quase sempre corredores escapados e André Cardoso é o portador da camisola da montanha.
Riberalves-Boavista: Tiago Machado tem subido ao pódio todos os dias para vestir a camisola da montanha e está na discussão da corrida. Por aqui pode dizer-se que a prova está a correr bem aos axadrezados. No entanto, Manuel Cardoso, o ciclista mais vitorioso do pelotão nacional em 2007, ainda não "molhou a sopa" e a equipa, no seu conjunto, também não venceu qualquer etapa. Uma prestação mediana, que aguarda pelo desenvolvimento da corrida para que se possa afirmar se é um desempenho positivo ou negativo.
Liberty Seguros: Américo Silva tem razões para sorrir: Cândido Barbosa apresentou-se em superforma e já ganhou três etapas consecutivas, estando agora na posse da camisola amarela. O azar de Hector Guerra - queda na chegada à Senhora da Assunção - prejudicou a estratégia da equipa, mas, a par com o magnífico estado de forma de Cândido, terá ajudado a definir a liderança da equipa. O povo adoro Cândido Barbosa e o corredor de Rebordosa está a corresponder. Américo Silva não tem margem de manobra para apostar noutro ciclista.
Vitória-ASC: À semelhança de uma época sem grande brilho, a primeira parte da Volta a Portugal não está a correr bem aos vimaranenses. Contudo, Juan Gomis ainda pode ter uma palavra a dizer na disputa dos primeiros lugares. Aguardemos pelo desenrolar da corrida para cunhar com mais precisão aquilo que os comandados de José Augusto Silva têm feito.
Lampre-Fondital: A equipa Pro Tour italiana está a fazer o que é seu hábito em terras lusas: passear as camisolas, passe o exagero.
Saunier Duval - Prodir: Idem idem, aspas aspas.
Barloworld: O conjunto britânico está a brilhar menos do que tem sido hábito nas suas incursões por Portugal. Mas o português Hugo Sabido e o sul-africano John-Lee Augustyn são homens a ter em conta para as etapas que faltam, podendo vir a salvar uma prestação, para já, pouco entusiasmante do colectivo.
Relax-GAM: Oscar Sevilla tem estado entre os primeiros nas etapas planas, nas que são mais duras e também esteve no contra-relógio iniicial. Com pezinhos de lã, a Relax-GAM tem sabido posicionar o seu ás de trunfo, colocando-o em condições de ganhar a corrida. Se essa cartada falhar, a equipa guarda outro trunfo na manga, Francisco Mancebo, que se tem conseguido manter na discussão da prova, embora revelando-se menos capaz do que Sevilla.
Ceramica Panaria: Bruno Reverberi não veio passear a Portugal. Paride Grillo já ganhou uma etapa e mostrou classe nos sprints. Espera-se para ver se o técnico italiano tem alguma surpresa reservada para a montanha.
Team Slipstream: Sem brilho nem glória, os estadunidenses têm-se arrastado pelo pelotão.
Ceramica Flaminua: Muito activos nas tentativas de fuga, os transalpinos dão em suor o que lhes falta em classe. Pelo menos lutam. Já não é mau.
Karpin-Galicia: Os galegos estão a jogar na expectativa com o intuito de lançar Eladio Jimenez para a vitória. A equipa aparenta estar forte e coesa, pelo que há que ter atenção.
Fuerteventura-Canarias: Vicente Belda está a acompanhar a corrida da equipa que, não dirigindo oficialmente, vai coordenando à distância (mas não muita). A presença em Portugal do homem que, nos tempos da Kelme e da Comunitat Valenciana, costumava delegar as corridas portuguesas nos seus lugares-tenentes talvez queira dizer alguma coisa acerca dos objectivos da equipa. O ataque de David Bernabeu nas subida de ontem, em Santo Tirso, disse o resto.
Sexta-feira, Agosto 03, 2007
Antevisão da 69ª Volta a Portugal
Duja-Tavira
Os algarvios surgem na Volta com responsabilidades acrescidas, porque têm no plantel o vencedor da Volta do ano passado e máximo candidato a ganhar em 2007, David Blanco. Por outro lado, após a excelente corrida protagonizada em 2006, os pupilos de Vidal Fitas estarão mais marcados pelos adversários. Não será fácil ter liberdade para “jogar” deliberadamente ao ataque, como é timbre dos tavirenses. Mas, provavelmente, também não será essa a intenção de Vidal Fitas e dos seus homens. A conquista da Volta é uma possibilidade demasiado real para ser desbaratada em fugas só para mostrar o nome do patrocinador. Apostas: David Blanco (Geral), Martin Garrido (Regularidade e etapas) e Ricardo Mestre (Juventude e Montanha).
Madeinox-Bric-Loulé
O conjunto que veste de laranja tem sido a grande revelação da época. Sem grandes nomes, a Madeinox-Bric-Loulé é “cliente” habitual dos pódios colectivos e já conseguiu alguns triunfos individuais que merecem destaque, como a geral e duas etapas da Volta à Extremadura e a chegada à Torre no GP CTT. André Vital, o chefe-de-fila, esteve de amarelo em duas corridas internacionais – Alentejo e CTT -, só perdendo a corrida por falta de colectivo para o defender, em ambos os casos, nos quilómetros finais das respectivas provas. Na Volta, André Vital é uma das apostas para os dez primeiros. Apostas: André Vital (Geral e Montanha).
Barbot-Halcon
A equipa gaiense tem feito uma época desoladora. Órfão de Sérgio Ribeiro e de Vítor Rodrigues, o colectivo comandado por Carlos Pereira não tem estado na discussão das corridas nem tem conseguido dar nas vistas. Os principais corredores da Barbot-Halcon são dois veteranos, Claus Möller e Carlos Pinho. A veterania costuma implicar maiores dificuldades na obtenção de picos de forma, pelo que o normal é que a prudência aconselhe a apontar baterias apenas para a Volta a Portugal. Se tal se confirmar, tanto o dinamarquês como o português são capazes de andar com os melhores na prova-rainha da nossa velocipedia. Apostas: Claus Möller e Carlos Pinho (Geral).
Benfica
O Benfica tem sobre si o peso da responsabilidade de brilhar na Volta a Portugal. É a equipa portuguesa com o orçamento mais elevado, mas os resultados desportivos não fizeram ainda render o investimento. 2007 não trouxe aos encarnados qualquer vitória na geral. Valeu aos benfiquistas a “explosão” de Javier Benitez como grande sprinter. O valenciano averbou oito das nove vitórias da equipa. O outro triunfo coube a José Azevedo, maior nome do ciclismo português da última década e, por isso, um dos grandes candidatos a ganhar a Volta a Portugal. Apesar de uma temporada com resultados tímidos, o investimento na equipa tem retorno imediato se Azevedo conseguir vencer a Volta. Apostas: José Azevedo (Geral), Javier Benitez (Regularidade e etapas).
LA-MSS
Os maiatos têm feito uma época de qualidade, ostentando vitórias nas corridas nacionais e internacionais. Já se sabe que na Volta tudo é diferente. Zeferino que o diga, pois no ano passado fez uma época brilhante, mas a juventude do colectivo impediu altos voos na principal corrida. Este ano, todavia, a situação prevê-se será diferente. O conjunto está mais maduro e recebeu um corredor com capacidade para pelejar pela vitória, Xavier Tondo, recente vencedor – com autoridade! – do GP Torres Vedras. Apostas: Xavier Tondo e João Cabreira (Geral), Bruno Neves (Regularidade e etapas).
Fercase - Rota dos Móveis
Uma das equipas nacionais com menor orçamento e, consequentemente, com um plantel mais limitado. Mário Rocha, certamente, irá instruir os seus homens para lutar dia-a-dia por dar nas vistas. Entrar em fugas será obrigatório, vencer uma etapa seria esplêndido. Apostas: André Cardoso (Juventude) e Alexis Rodriguez (Montanha).
Riberalves-Boavista
Os boavisteiros são os mais triunfadores do ciclismo português em 2007. Essas vitórias têm sido conseguidas, quase exclusivamente, em corridas nacionais. Nas provas do calendário internacional, a Riberalves-Boavista perde “gás”, o que põe a nu uma das principais debilidades do conjunto chefiado por José Santos: a juventude dos dois corredores mais importantes, Tiago Machado e Manuel Cardoso. Ciente disso, o técnico da equipa do Bessa não irá colocar grande pressão sobre os seus homens, procurando que estes façam o melhor possível. Vencer uma etapa e ter um ciclista entre os cinco primeiros seria uma Volta positiva. Apostas: Tiago Machado (Geral, Montanha e Juventude) e Manuel Cardoso (Regularidade e etapas).
Liberty Seguros
Américo Silva é, de entre os directores-desportivos portugueses, aquele que tem mais ciclistas capazes de lutar pela vitória, facto que lhe abre amplas possibilidades de abordagem estratégica e táctica da corrida. Hector Guerra deverá ser a maior aposta, mas Cândido Barbosa, o mais carismático ciclista português, livre da pressão de anos anteriores, poderá surpreender e conquistar a vitória que lhe falta no palmarés. Nuno Ribeiro, último português a ganhar a Volta, em 2003, também não pode descartar-se como candidato. Apostas: Hector Guerra (Geral), Cândido Barbosa (Geral, Regularidade e etapas), Nuno Ribeiro (Geral e Montanha) e Pablo Urtasun (Regularidade e etapas).
Vitória-ASC
A equipa reforçou-se bem para 2007, mas os resultados tardam em aparecer. Angel Edo já não é o sprinter de outros tempos e Juan Gomis não tem demonstrado a qualidade que todos lhe reconhecem. Na Volta, espera-se uma postura diferente daquela que José Augusto Silva tem usado como imagem de marca: ataques nos dias iniciais – quase sempre no primeiro – para vencer uma tirada e andar de amarelo. Pode ser que isso suceda, mas o principal objectivo passará por apoiar Juan Gomis para que o espanhol chegue sempre com os primeiros e possa entrar na discussão da vitória final. Apostas: Juan Gomis (Geral) e José Rodrigues (Montanha).
Lampre-Fondital
Uma das duas equipas Pro Tour presentes na competição. Olhando para a lista de inscritos, teme-se uma participação semelhante à do ano passado, ou seja, apenas para fazer número.
Saunier Duval-Prodir
A segunda equipa Pro Tour presente na Volta a Portugal tem condições para fazer figura. Se Koldo Gil se apresentar em boa forma é um dos candidatos naturais à vitória, embora os companheiros que o acompanham não sejam de primeira linha, o que faz antever dificuldades no caso de necessidade de controlar a corrida. Interessa ainda analisar de que forma o positivo por EPO de Iban Mayo na Volta a França poderá influir no moral e no desempenho da equipa. Apostas: Koldo Gil (Geral) e Luciano Pagliarini (Regularidade e etapas).
Barloworld
A Barloworld é a equipa estrangeira com presença mais regular e com maior qualidade nas corridas em Portugal, onde, aliás, venceu a Volta a Portugal de 2005 e a Volta ao Distrito de Santarém, já em 2007. A presença no Tour deste ano faz com que os comandados de Valerio Tebaldi não se apresentem na máxima força na Volta a Portugal, não inscrevendo sequer o número máximo de ciclistas permitido. O conjunto ficará na expectativa, mas tem corredores para subir ao pódio final, como é o caso do português Hugo Sabido, do basco Peio Arreitunandia e do italiano Enrico Degano. Apostas: Hugo Sabido (Geral), Peio Arreitunandia (Geral e Montanha) e Enrico Degano (Regularidade e etapas).
Relax-GAM
A mais forte e mais polémica equipa do pelotão voltista de 2007. Os espanhóis da Relax-GAM demandam Portugal com as suas principais estrelas, Francisco Mancebo e Óscar Sevilla, ciclistas que, entre outros, inviabilizaram a participação do colectivo na Volta a Espanha, dado o seu envolvimento na “Operação Puerto”. Mancebo já disse que vem para ganhar e tem qualidade e equipa para o defender. É um dos mais sérios favoritos. Sevilla também é opção. Apostas: Francisco Mancebo (Geral), Oscar Sevilla (Geral) e Jan Hruska (Regularidade e etapas).
Ceramica Panaria-Navigare
A maior incógnita da Volta deste ano. Se os italianos – inscritos na UCI como irlandeses, por motivos fiscais – chegarem a Portugal num bom momento, têm condições para alcançar bons resultados. Bruno Reverberi dirige um conjunto que tem elementos capazes de brilhar em todos os terrenos. De Matveyev nos contra-relógios a Grillo nas chegadas massivas. Apostas: Júlio Perez Cuapio (Geral e Montanha) e Paride Grillo (Regularidade e etapas).
Team Slipstream
Os estadunidenses não têm nomes de relevo e não se espera uma grande Volta desta equipa. Qualquer grande resultado será uma surpresa.
Ceramica Flaminia
Os italianos da Faminia costumam ser abnegados lutadores e entram em escapadas com grande regularidade. No entanto, os resultados que têm obtido em Portugal não são grande cartão de visita.
Karpin-Galicia
Outra equipa que vem de Espanha com homens de qualidade e que são potenciais vencedores. Um colectivo forte e a adaptação à forma de correr em Portugal jogam a favor dos interesses dos galegos. Eladio Jimenez é um dos mais fortes candidatos a vencer a Volta a Portugal, tal como ficou demonstrado com a vitória no alto de Montejunto, no GP Torres Vedras. Apostas: Eladio Jimenez (Geral) e Ezequiel Mosquera (Montanha).
Fuerteventura-Canarias
Sucedâneo da Kelme/Comunitat Valenciana também foi excluída da Volta a Espanha por ter no plantel corredores envolvidos na “Operação Puerto”. A Volta a Portugal é, assim, o grande objectivo da segunda metade da temporada. David Bernabeu é pretendente a bisar na maior corrida portuguesa. O colectivo é forte e dará “água pela barba” às equipas portuguesas. Apostas: David Bernabeu (Geral).
Trabalhos
Julgo não ser demasiado presunçoso por achar que este blogue tem leitores fiéis e que estes não gostam de ver o Pedaladas (quase) ao abandono. Eu também não gosto, mas não tem sido fácil conciliar várias coisas. Por um lado, o trabalho é muito e o tempo escasso. Por outro, agora que me lancei na aventura do Jornal Ciclismo tenho de pesar o que posso publicar aqui e o que não posso, de modo a não esvaziar de conteúdo e de efeito surpresa o referido jornal. Além disso, nesta Volta a Portugal estou também a colaborar com uma agência de conteúdos, I+G, que fará infografias sobre a corrida para o Diário de Notícias. Eu escrevo os textos desses trabalhos, que passam, essencialmente, pela antevisão das etapas. Desse modo, também não convém que aqui publique os textos que têm de sair em primeira mão no referido jornal.
Portanto, deixo o convite: leiam o Jornal Ciclismo, leiam o Diário de Notícias (hoje saiu a primeira e maior das infografias, está bonita, vale a pena ler e ver).
PS: Prometo que, se tiver tempo, ainda faço uma pequena antevisão da corrida em exclusivo para este blogue.
Portanto, deixo o convite: leiam o Jornal Ciclismo, leiam o Diário de Notícias (hoje saiu a primeira e maior das infografias, está bonita, vale a pena ler e ver).
PS: Prometo que, se tiver tempo, ainda faço uma pequena antevisão da corrida em exclusivo para este blogue.
Segunda-feira, Julho 30, 2007
Jornal Ciclismo - Número 2
A segunda edição do Jornal Ciclismo será publicada esta semana. Os assinantes irão recebê-la em casa antes do começo da Volta a Portugal (a menos que os Correios falhem...). Os restantes leitores irão encontrar o jornal nas corridas, com especial ênfase para a 69ª Volta a Portugal edp e para a II Volta a Portugal Júnior.
Aqui ficam os destaques do número dois do Jornal Ciclismo:
- Volta a Portugal
Antevisão das 11 etapas feita por 11 ciclistas do nosso pelotão.
Mini-entrevista a cada um dos directores-desportivos nacionais.
Estatísticas e curiosidades da edição 69 da Volta e da História da corrida.
Infografias de produção própria.
- Reportagem da Volta a Portugal do Futuro
- Reportagem Prémio Gondomar Coração de Ouro
- Apresentação da Etapa da Volta
- Suplemento de apresentação da II Volta a Portugal Júnior
Deixo também o convite para que façam uma assinatura, anual ou semestral, desta publicação. Para isso, visitem esta página.
Aqui ficam os destaques do número dois do Jornal Ciclismo:
- Volta a Portugal
Antevisão das 11 etapas feita por 11 ciclistas do nosso pelotão.
Mini-entrevista a cada um dos directores-desportivos nacionais.
Estatísticas e curiosidades da edição 69 da Volta e da História da corrida.
Infografias de produção própria.
- Reportagem da Volta a Portugal do Futuro
- Reportagem Prémio Gondomar Coração de Ouro
- Apresentação da Etapa da Volta
- Suplemento de apresentação da II Volta a Portugal Júnior
Deixo também o convite para que façam uma assinatura, anual ou semestral, desta publicação. Para isso, visitem esta página.
O Tour'07 chegou ao fim
Paz à sua alma. E que 2008 traga de volta o ciclismo e afaste o doping e os jogos de bastidores da ASO e da UCI do topo da agenda.
Terça-feira, Julho 24, 2007
Crónica do desassossego

Esta tarde, vinha sentado no bar do comboio que me trazia de volta ao Norte depois de uma investida a Lisboa para tratar de assuntos do Jornal Ciclismo, quando recebo um telefonema. A chamada telefónica interrompeu-me a leitura. Nessa altura, absorvia a crónica assinada pelo ciclista Pedro Horrillo no El Pais de hoje. Horrillo assinava um texto apologético do carácter de Alexandre Vinokourov.
O telefonema que recebi também era referente ao ciclista do Cazaquistão. Era para me dar conta de que o homem da Astana prevaricou, tendo-lhe sido detectada uma transfusão sanguínea do dia do contra-relógio que ganhara, pensava eu, heroicamente.
Nos últimos anos, os grandes nomes do ciclismo foram tombando em escândalos sucessivos de dopagem. Vinokourov era dos poucos que resitiam. Até hoje. É um dia triste para o ciclismo e que deixa a todos os amantes da modalidade desassossegados, porque, ou se põe cobro a isto, ou o ciclismo morre.
PS: Ia escrever uma crónica sobre o heroísmo de um homem que não desiste, apesar de ter o joelho no copro que a imagem da agência EFE documenta, mas tive de escrever esta crónica do desassossego que me invade.
Sexta-feira, Julho 20, 2007
Castigo ao Sérgio Ribeiro: tiro no pé
A sanção aplicada ao Sérgio Ribeiro, por consumo de EPO, foi de 2 anos... líquidos. Ou seja, Sérgio Ribeiro está suspenso da competição desde 15 de Maio passado até Janeiro de 2010, porque os meses do defeso velocipédico não contam para a pena que lhe foi aplicada.
É claro que se trata de uma decisão ainda passível de recurso e, se esse recurso vier a veriicar-se, haverá doutos pareceres, alicerçados em artigos diferentes das mesmas leis ou até em leis diferentes, que defenderão uma coisa e o seu contrário. Nesta fase, não me interessa ir pelo caminho do Direito, porque, como se sabe, para cada caso há sempre mais do que uma interpretação jurídica. Cada um fica com a que lhe agradar mais.
Por mim, fico-me pela minha posição pessoal: o castigo aplicado ao Sérgio Ribeiro é uma agressão à pessoa Sérgio Ribeiro. Ficar duas épocas afastado das estradas já é mau, embora seja justo pelos actos ilícitos cometidos. Mas três anos é uma pena demasiado pesada, que "aleija" o homem que fica impedido de exercer a sua profissão.
Além de considerar que essa pena é uma agressão à pessoa Sérgio Ribeiro, entendo que é um tiro no pé na luta contra o doping. Se fosse aplicados dois anos "corridos" de suspensão, ninguém contestaria a decisão. Com a sanção de dois anos de proibição de competir em meses de competição efectiva, dá-se azo a contestações. E, certamente, irão ouvir-se outra vez vozes a protestar contra aquilo que dizem ser uma perseguição aos corredores.
Em suma, entendo o castigo aplicado ao Sérgio Ribeiro como negativo, prejudicando o corredor e o ciclismo.
É claro que se trata de uma decisão ainda passível de recurso e, se esse recurso vier a veriicar-se, haverá doutos pareceres, alicerçados em artigos diferentes das mesmas leis ou até em leis diferentes, que defenderão uma coisa e o seu contrário. Nesta fase, não me interessa ir pelo caminho do Direito, porque, como se sabe, para cada caso há sempre mais do que uma interpretação jurídica. Cada um fica com a que lhe agradar mais.
Por mim, fico-me pela minha posição pessoal: o castigo aplicado ao Sérgio Ribeiro é uma agressão à pessoa Sérgio Ribeiro. Ficar duas épocas afastado das estradas já é mau, embora seja justo pelos actos ilícitos cometidos. Mas três anos é uma pena demasiado pesada, que "aleija" o homem que fica impedido de exercer a sua profissão.
Além de considerar que essa pena é uma agressão à pessoa Sérgio Ribeiro, entendo que é um tiro no pé na luta contra o doping. Se fosse aplicados dois anos "corridos" de suspensão, ninguém contestaria a decisão. Com a sanção de dois anos de proibição de competir em meses de competição efectiva, dá-se azo a contestações. E, certamente, irão ouvir-se outra vez vozes a protestar contra aquilo que dizem ser uma perseguição aos corredores.
Em suma, entendo o castigo aplicado ao Sérgio Ribeiro como negativo, prejudicando o corredor e o ciclismo.
Quarta-feira, Julho 18, 2007
Teoria da conspiração
Sou o primeiro a aplaudir todas as medidas de endurecimento de combate ao doping. Portanto, fiquei satisfeito quando vi em discussão um código de ética para a Volta a Portugal. Mas, mal o assunto foi abordado pela primeira vez, deixei neste blogue uma perplexidade que me assaltou: então e as equipas estrangeiras que cá vêm, haverá meios de obrigá-las a cumprir o mesmo código?
O tempo foi passando e as notícias sobre o dito código nunca mais chegavam. Sabia-se que, logo no início do debate, a associação de ciclistas propôs que os directores desportivos também fossem responsabilizados por eventuais controlos positivos dos corredores por si dirigidos. Em tese, estou de acordo com a proposta, mas fiquei com a pulga atrás da orelha.
Semanas depois, a associação de equipas aprovou o código, aceitando que os directores desportivos também fossem alvo de sanções. Pareceu-me bem. Assim como me pareceu positivo que se instasse a organização da Volta a seguir o exemplo das congéneres das três grandes voltas, deixando de fora os ciclistas envolvidos na Operação Puerto.
Entretanto, a associação de ciclistas recusa o código. Primeiro, porque este não se aplica a todas as equipas e a todos os corredores. Depois, porque não pode haver um poder discricionário, que julgue o que os tribunais não julgaram. De uma penada, a associação de ciclistas diz que o código não pode ser praticado porque não se aplica a todos e recusa uma proposta para aplicar, pelo menos, a mais alguns.
O que atrás descrevi são factos. Vamos agora a uma teoria da conspiração. Será que a proposta de culpabilizar também os directores desportivos foi uma maneira de tentar que o código morresse por oposição desses directores desportivos? Será que aceitar o código mas impor a exclusão de alguns ciclistas espanhóis foi uma manobra tendente a matar o código, tornando-o inaceitável para os representantes dos ciclistas. Será que a maior parte dos intervenientes no nosso ciclismo acha que não é preciso código de ética algum?
O tempo foi passando e as notícias sobre o dito código nunca mais chegavam. Sabia-se que, logo no início do debate, a associação de ciclistas propôs que os directores desportivos também fossem responsabilizados por eventuais controlos positivos dos corredores por si dirigidos. Em tese, estou de acordo com a proposta, mas fiquei com a pulga atrás da orelha.
Semanas depois, a associação de equipas aprovou o código, aceitando que os directores desportivos também fossem alvo de sanções. Pareceu-me bem. Assim como me pareceu positivo que se instasse a organização da Volta a seguir o exemplo das congéneres das três grandes voltas, deixando de fora os ciclistas envolvidos na Operação Puerto.
Entretanto, a associação de ciclistas recusa o código. Primeiro, porque este não se aplica a todas as equipas e a todos os corredores. Depois, porque não pode haver um poder discricionário, que julgue o que os tribunais não julgaram. De uma penada, a associação de ciclistas diz que o código não pode ser praticado porque não se aplica a todos e recusa uma proposta para aplicar, pelo menos, a mais alguns.
O que atrás descrevi são factos. Vamos agora a uma teoria da conspiração. Será que a proposta de culpabilizar também os directores desportivos foi uma maneira de tentar que o código morresse por oposição desses directores desportivos? Será que aceitar o código mas impor a exclusão de alguns ciclistas espanhóis foi uma manobra tendente a matar o código, tornando-o inaceitável para os representantes dos ciclistas. Será que a maior parte dos intervenientes no nosso ciclismo acha que não é preciso código de ética algum?
Terça-feira, Julho 17, 2007
Jornal Ciclismo - Número 1
O número 1 do Jornal Ciclismo começa a ser enviado aos assinantes na próxima quinta-feira e tem a sua primeira distribuição em massa no sábado e no domingo, durante o Prémio Gondomar Coração de Ouro, última corrida profissional antes da Volta a Portugal.
Destaques da edição número 1:
- José Azevedo em grande entrevista
- Reportagem no Troféu Joaquim Agostinho e nos campeonatos nacionais
- Antevisão da Volta a Portugal
- Antevisão da Volta do Futuro
- Antevisão da Volta a Portugal de juniores
- Suplemento ANECP: apresentação das 9 equipas profissionais e do Prémio Gondomar Coração de Ouro
- Cadetes portugueses vencem prova internacional de BTT (cross country)
Destaques da edição número 1:
- José Azevedo em grande entrevista
- Reportagem no Troféu Joaquim Agostinho e nos campeonatos nacionais
- Antevisão da Volta a Portugal
- Antevisão da Volta do Futuro
- Antevisão da Volta a Portugal de juniores
- Suplemento ANECP: apresentação das 9 equipas profissionais e do Prémio Gondomar Coração de Ouro
- Cadetes portugueses vencem prova internacional de BTT (cross country)
Domingo, Julho 15, 2007
Troféu Joaquim Agostinho - Análise
O GP de Torres Vedras - Troféu Joaquim Agostinho chegou hoje ao fim com a vitória do espanhol Xavier Tondo (LA-MSS). Foi um corrida totalmente dominada pelos corredores espanhóis, num prenúncio do que poderá vir a suceder na próxima Volta a Portugal.
Tondo alcançou a liderança logo no dia inaugural, um prólogo curto mas duro, que permitiu marcar diferenças para toda a concorrência. No dia seguinte, Javier Benitez venceria a primeira das três etapas que conquistou nesta corrida, na qual consolidou o estatuto de melhor sprinter do pelotão português.
A segunda etapa em linha, com final no alto de Montejunto, era aquela que mais mexidas poderia provocar na classificação. No entanto, Xavier Tondo demonstrou bastante poderio, ganhando tempo a todo a gente, excepto ao compatriota Eladio Jimenez (Karpin-Galicia), que venceria a tirada, com o mesmo tempo do comandado de Manuel Zeferino.
Feitas as contas, a prova foi bem disputada. A superioridade coube aos corredores espanhóis... e às equipas portuguesas. O melhor ciclista luso foi Tiago Machado (Riberalves-Boavista), que terninou no quarto lugar. Verificou-se ainda um grande empenhamento das equipas espanholas, já em preparação para a Volta a Portugal, com especial destaque para a karpin-Galicia e para a Fuerteventura-Canarias, conjuntos que poderão não apresentar os homens mais fortes na Volta a Portugal, caso a PAD aceite a reivindicação da associação de equipas portuguesas, que exige a exclusão da Volta de todos os corredores suspeitos de serem clientes da rede de doping revelada pela "Operação Puerto".
O desempenho de algumas equipas e de alguns corredores nacionais merecem destaque. Por motivos diversos. O Benfica esteve bem, logrando arrebatar três vitórias em etpas, por intermédio de Benitez - tem 8 das 9 conquistas encarnadas em 2007 -, mas também por parte de José Azevedo, em clara subida de forma rumo à Volta a Portugal.
A Liberty Seguros tem Hector Guerra em crescendo de forma e Nuno Ribeiro também a melhorar a sua condição. No entanto, Cândido Barbosa não se mostrou em bom nível. Ou se tratou de uma estratégia calculada de poupança de energias ou são más notícias para Américo Silva, dado que a Volta a Portugal está a menos de um mês. Deve ainda ter-se em conta a queda de Barbosa na primeira etapa em linha, o que poderá ter influído no seu rendimento.
Tondo alcançou a liderança logo no dia inaugural, um prólogo curto mas duro, que permitiu marcar diferenças para toda a concorrência. No dia seguinte, Javier Benitez venceria a primeira das três etapas que conquistou nesta corrida, na qual consolidou o estatuto de melhor sprinter do pelotão português.
A segunda etapa em linha, com final no alto de Montejunto, era aquela que mais mexidas poderia provocar na classificação. No entanto, Xavier Tondo demonstrou bastante poderio, ganhando tempo a todo a gente, excepto ao compatriota Eladio Jimenez (Karpin-Galicia), que venceria a tirada, com o mesmo tempo do comandado de Manuel Zeferino.
Feitas as contas, a prova foi bem disputada. A superioridade coube aos corredores espanhóis... e às equipas portuguesas. O melhor ciclista luso foi Tiago Machado (Riberalves-Boavista), que terninou no quarto lugar. Verificou-se ainda um grande empenhamento das equipas espanholas, já em preparação para a Volta a Portugal, com especial destaque para a karpin-Galicia e para a Fuerteventura-Canarias, conjuntos que poderão não apresentar os homens mais fortes na Volta a Portugal, caso a PAD aceite a reivindicação da associação de equipas portuguesas, que exige a exclusão da Volta de todos os corredores suspeitos de serem clientes da rede de doping revelada pela "Operação Puerto".
O desempenho de algumas equipas e de alguns corredores nacionais merecem destaque. Por motivos diversos. O Benfica esteve bem, logrando arrebatar três vitórias em etpas, por intermédio de Benitez - tem 8 das 9 conquistas encarnadas em 2007 -, mas também por parte de José Azevedo, em clara subida de forma rumo à Volta a Portugal.
A Liberty Seguros tem Hector Guerra em crescendo de forma e Nuno Ribeiro também a melhorar a sua condição. No entanto, Cândido Barbosa não se mostrou em bom nível. Ou se tratou de uma estratégia calculada de poupança de energias ou são más notícias para Américo Silva, dado que a Volta a Portugal está a menos de um mês. Deve ainda ter-se em conta a queda de Barbosa na primeira etapa em linha, o que poderá ter influído no seu rendimento.
Quinta-feira, Julho 12, 2007
Jornal Ciclismo: Já só falta uma semana
A primeira edição do Jornal Ciclismo será publicada no final da próxima semana. Todas as informações sobre periodicidade, distribuição, assinaturas, preço da publicidade, etc. podem ser encontradas aqui.
Terça-feira, Julho 10, 2007
Troféu Joaquim Agostinho - Antevisão
O Grande Prémio de Torres Vedras – Troféu Joaquim Agostinho vai disputar-se nas estradas da região do Oeste, entre 11 e 15 deste mês, constituindo-se como um importante teste para a Volta a Portugal. A variedade do percurso – a que só falta um contra-relógio mais longo – permitirá avaliar o estado de forma dos principais pretendentes à vitória na Volta e ajudará a afinar estratégias.
A mais antiga corrida internacional do nosso calendário promete emoção. Como vem sendo hábito, quando a época passa de meio e se começa a dirigir para o fim, os contingentes estrangeiros que visitam as provas portuguesas perdem importância e são compostos por ciclistas de menor relevo. No entanto, muitos dos que nos visitam no Troféu Joaquim Agostinho são corredores que visam o reconhecimento do seu valor, pelo que darão tudo por tudo para brilhar.
Assim, as equipas portuguesas não devem esperar que a disputa seja apenas entre elas, embora teoricamente seja mesmo isso que prevê.
A corrida começa com um prólogo de 8 Km. A primeira etapa em linha, 165 Km de Carvoeira até Á-dos-Cunhados, tem apenas uma contagem de terceira categoria para o prémio da montanha, pelo que será uma excelente oportunidade para os sprinters medirem forças, assim o pelotão não se deixe surpreender por uma fuga.
A terceira jornada da competição é aquela que se prevê mais importante. Os ciclistas partem de Sobral de Monte Agraço e encontram a meta, 141,9 Km depois, no Alto de Montejunto, prémio de montanha de primeira categoria. Pelo meio, ainda têm de vencer uma contagem de segunda e outra de terceira categoria.
No dia seguinte, a caravana rola de Manique do Intendente até Torres Vedras para cumprir os 178,7 Km da tirada, que se adivinha propícia aos velocistas. As decisões estão guardadas para o tradicional Circuito de Torres Vedras, um duro percurso de 16,5 km, que será percorrido seis vezes. Trata-se de uma etapa tipicamente “rompe-pernas”, pelo que o pelotão irá, certamente, fragmentar-se e haverá ainda a possibilidade de serem jogados alguns trunfos decisivos na procura da camisola amarela final.
Os dados estão lançados
A mais antiga corrida internacional do nosso calendário promete emoção. Como vem sendo hábito, quando a época passa de meio e se começa a dirigir para o fim, os contingentes estrangeiros que visitam as provas portuguesas perdem importância e são compostos por ciclistas de menor relevo. No entanto, muitos dos que nos visitam no Troféu Joaquim Agostinho são corredores que visam o reconhecimento do seu valor, pelo que darão tudo por tudo para brilhar.
Assim, as equipas portuguesas não devem esperar que a disputa seja apenas entre elas, embora teoricamente seja mesmo isso que prevê.
A corrida começa com um prólogo de 8 Km. A primeira etapa em linha, 165 Km de Carvoeira até Á-dos-Cunhados, tem apenas uma contagem de terceira categoria para o prémio da montanha, pelo que será uma excelente oportunidade para os sprinters medirem forças, assim o pelotão não se deixe surpreender por uma fuga.
A terceira jornada da competição é aquela que se prevê mais importante. Os ciclistas partem de Sobral de Monte Agraço e encontram a meta, 141,9 Km depois, no Alto de Montejunto, prémio de montanha de primeira categoria. Pelo meio, ainda têm de vencer uma contagem de segunda e outra de terceira categoria.
No dia seguinte, a caravana rola de Manique do Intendente até Torres Vedras para cumprir os 178,7 Km da tirada, que se adivinha propícia aos velocistas. As decisões estão guardadas para o tradicional Circuito de Torres Vedras, um duro percurso de 16,5 km, que será percorrido seis vezes. Trata-se de uma etapa tipicamente “rompe-pernas”, pelo que o pelotão irá, certamente, fragmentar-se e haverá ainda a possibilidade de serem jogados alguns trunfos decisivos na procura da camisola amarela final.
Os dados estão lançados
Quinta-feira, Julho 05, 2007
Volta a França - Antevisão
A Volta a França 2007 começa depois de amanhã, mas a corrida em si não desperta as paixões dos amantes das bicicletas no momento actual. Quando o primeiro ciclista partir para o prólogo, nas ruas do centro de Londres, é noutro assunto que (quase) todos estão a pensar: doping.
Em 2006, o Tour foi precedido pela “Operação Puerto”, que deixou de fora da prova as principais estrelas da velocipedia actual. Pensava-se que, apesar dos danos na imagem da modalidade criados pelo escândalo, salvar-se-ia a competição, dado que seria das mais “limpas” dos últimos anos. Talvez até tenha sido das menos “sujas”, mas o positivo do vencedor, Floyd Landis enlameou todo o ciclismo e não apenas a sua imagem ou a da corrida gaulesa.
Um ano depois, os escândalos não têm cessado e não se sabe ainda quem é o vencedor oficial da corrida de 2006. Por isso, não há número um na camisola de ninguém e não há, neste momento, número um no pelotão. E, se houvesse, poucos o elegeriam como ídolo e muitos iriam franzir o sobrolho e pensar na palavra maldita: doping.
A ganância generalizada – a crer nas acusações de Jorg Jaschke de que todos fazem batota – está a matar a galinha dos ovos de ouro. A UCI e a organização da Volta a França já o perceberam e só aceitam na corrida mais importante do planeta os corredores que assinem uma polémica declaração contra o doping.
É, pois, perante um clima de cortar à faca que a caravana vai para a estrada. Esperemos poder assistir a três semanas de competição estimulante e sem escândalos. O traçado permite-o. O equilíbrio entre os chefes-de-fila da actualidade faz adivinhar uma corrida aberta, em que o talento de cada um poderá ditar leis, mais do que nunca ou não tivesse sido abolida a tradição de um contra-relógio colectivo que prejudicava alguns corredores com colectivos menos fortes.
O desenho das etapas revela algum conservadorismo na distribuição das dificuldades. Não se leia esta afirmação como uma crítica. Começar com um prólogo, dar uma semana de rodagem ao pelotão e permitir que os sprinters brilhem antes das primeiras jornadas decisivas potencia o espectáculo, dando oportunidade a que todos possam explorar ao máximo as suas capacidades. E, porque isto não deixa de ser um negócio, esta organização da corrida revela sensibilidade para com as necessidades de protagonismo de todos os patrocinadores.
Em suma, após o prólogo inicial, será preciso esperar pela sétima etapa para aquilatar do real estado de forma dos favoritos. A jornada de 197,5 Km termina em Le Grand-Bornand, 14,5 Km depois da última ascensão do dia, ao Col de la Colombière. No dia seguinte, novo teste aos campões, aqui com a primeira das três chegadas em alto do Tour’07. Depois de duas contagens de primeira categoria, uma de segunda, outra de terceira e mais uma quarta, ao longo do percurso, os ciclistas têm de trepar 18 Km para chegarem à meta, instalada em Montée dês Tignes.
As dificuldades prosseguem no dia seguinte, numa curta etapa de 159,5 Km com final em Briançon e que fará o pelotão sofrer pelas encostas do Col de L’Iseran, do Col du Telégraphe e do Col do Galibier.
As hsotilidades estarão encerradas por uns dias entre os candidatos, pelo menos em teoria, pois pode sempre surgir uma fuga louca como a que acabou por fazer de Oscar Pereiro o potencial vencedor do Tour’06. O primeiro contra-relógio longo da corrida, 54 km, corre-se à 13ª etapa, sendo o primeiro de quatro dias decisivos.
A 14ª etapa tem chegada em alto, no Plateau de Beille, segunda contagem de categoria especial do dia. A 15ª tirada termina em Loudenvielle Le Louron, 11,5 km após a passagem no Col de la Peyresurd, última dificuldade de uma jornada com mais uma montanha de primeira, uma de categoria especial e duas de segunda. A 16ª ligação chega ao Col d’Aubisque, ao fim de 218,5 acidentados quilómetros que contemplam duas contagens de montanha de categoria especial, uma de primeira, uma de segunda e outra de terceira.
Na véspera de encerrar a competição, novo contra-relógio extenso, 55,5Km, e derradeira oportunidade para alterar a classificação.
Estamos à porta de uma prova emblemática, cujo brilho inicial está tapado pela sombra do doping. Mas temos um pelotão suficientemente capaz e um percurso excelente que, assim queiram os intervenientes, poderão dar uma demonstração cabal da beleza do ciclismo, que é, no fundo, aquilo de que este desporto mais precisa.
Em 2006, o Tour foi precedido pela “Operação Puerto”, que deixou de fora da prova as principais estrelas da velocipedia actual. Pensava-se que, apesar dos danos na imagem da modalidade criados pelo escândalo, salvar-se-ia a competição, dado que seria das mais “limpas” dos últimos anos. Talvez até tenha sido das menos “sujas”, mas o positivo do vencedor, Floyd Landis enlameou todo o ciclismo e não apenas a sua imagem ou a da corrida gaulesa.
Um ano depois, os escândalos não têm cessado e não se sabe ainda quem é o vencedor oficial da corrida de 2006. Por isso, não há número um na camisola de ninguém e não há, neste momento, número um no pelotão. E, se houvesse, poucos o elegeriam como ídolo e muitos iriam franzir o sobrolho e pensar na palavra maldita: doping.
A ganância generalizada – a crer nas acusações de Jorg Jaschke de que todos fazem batota – está a matar a galinha dos ovos de ouro. A UCI e a organização da Volta a França já o perceberam e só aceitam na corrida mais importante do planeta os corredores que assinem uma polémica declaração contra o doping.
É, pois, perante um clima de cortar à faca que a caravana vai para a estrada. Esperemos poder assistir a três semanas de competição estimulante e sem escândalos. O traçado permite-o. O equilíbrio entre os chefes-de-fila da actualidade faz adivinhar uma corrida aberta, em que o talento de cada um poderá ditar leis, mais do que nunca ou não tivesse sido abolida a tradição de um contra-relógio colectivo que prejudicava alguns corredores com colectivos menos fortes.
O desenho das etapas revela algum conservadorismo na distribuição das dificuldades. Não se leia esta afirmação como uma crítica. Começar com um prólogo, dar uma semana de rodagem ao pelotão e permitir que os sprinters brilhem antes das primeiras jornadas decisivas potencia o espectáculo, dando oportunidade a que todos possam explorar ao máximo as suas capacidades. E, porque isto não deixa de ser um negócio, esta organização da corrida revela sensibilidade para com as necessidades de protagonismo de todos os patrocinadores.
Em suma, após o prólogo inicial, será preciso esperar pela sétima etapa para aquilatar do real estado de forma dos favoritos. A jornada de 197,5 Km termina em Le Grand-Bornand, 14,5 Km depois da última ascensão do dia, ao Col de la Colombière. No dia seguinte, novo teste aos campões, aqui com a primeira das três chegadas em alto do Tour’07. Depois de duas contagens de primeira categoria, uma de segunda, outra de terceira e mais uma quarta, ao longo do percurso, os ciclistas têm de trepar 18 Km para chegarem à meta, instalada em Montée dês Tignes.
As dificuldades prosseguem no dia seguinte, numa curta etapa de 159,5 Km com final em Briançon e que fará o pelotão sofrer pelas encostas do Col de L’Iseran, do Col du Telégraphe e do Col do Galibier.
As hsotilidades estarão encerradas por uns dias entre os candidatos, pelo menos em teoria, pois pode sempre surgir uma fuga louca como a que acabou por fazer de Oscar Pereiro o potencial vencedor do Tour’06. O primeiro contra-relógio longo da corrida, 54 km, corre-se à 13ª etapa, sendo o primeiro de quatro dias decisivos.
A 14ª etapa tem chegada em alto, no Plateau de Beille, segunda contagem de categoria especial do dia. A 15ª tirada termina em Loudenvielle Le Louron, 11,5 km após a passagem no Col de la Peyresurd, última dificuldade de uma jornada com mais uma montanha de primeira, uma de categoria especial e duas de segunda. A 16ª ligação chega ao Col d’Aubisque, ao fim de 218,5 acidentados quilómetros que contemplam duas contagens de montanha de categoria especial, uma de primeira, uma de segunda e outra de terceira.
Na véspera de encerrar a competição, novo contra-relógio extenso, 55,5Km, e derradeira oportunidade para alterar a classificação.
Estamos à porta de uma prova emblemática, cujo brilho inicial está tapado pela sombra do doping. Mas temos um pelotão suficientemente capaz e um percurso excelente que, assim queiram os intervenientes, poderão dar uma demonstração cabal da beleza do ciclismo, que é, no fundo, aquilo de que este desporto mais precisa.
Domingo, Julho 01, 2007
Prémio Pedaladas - Junho
O mês de Junho, o mais carregado de corridas do nosso calendário, levou a uma reviravolta na frente do Prémio Pedaladas. David Blanco (Duja-Tavira) assume o comando da classificação, ultrapassando o benfiquista Javier Benitez, que, em fase de gestão de forma com vista à Volta, cai para a segunda posição. Logo de seguida, vêm três portugueses. Como esta tabela já contempla os resultados dos campeonatos nacionais, o novo campeão português de estrada, Cândido Barbosa (Liberty Seguros) chega ao pódio, feito notável para quem começou a competir apenas em Abril. Nos postos seguintes estão André Vital (Madeinox-Bric-Loulé), uma das grandes surpresas da temporada, e Pedro Cardoso (LA-MSS).
Entre as equipas, destaca-se o mano-a-mano entre a LA-MSS e a Liberty Seguros. As duas equipas somam os mesmos pontos e ambas têm o mesmo número de vitórias em 2007. Mantém-se este ano o duelo das épocas anteriores e nem o o Benfica, com o seu orçamento milinário, consegue intrometer-se, sendo certo que o Prémio Pedaladas contempla todas as corridas realizadas em Portugal, muitas das quais vedadas ao Benfica devido ao seu escalão superior. O terceiro lugar colectivo é ocupado por um conjunto tido como modesto, mas que tem vindo a dar cartas sob o comando de Emídio Pinto, a Madeinox-Bric-Loulé.
Individual
David Blanco (Duja-Tavira), 59 pontos
Javier Benitez (Benfica), 56
Cândido Barbosa (Liberty Seguros), 50
André Vital (Madeinox-Bric-Loulé), 48
Pedro Cardoso (LA-MSS), 45
Alessandro Petacchi (Milram), 44
Xavier Tondo (LA-MSS), 42
Manuel Cardoso (Riberalves-Boavista), 41
Robert Hunter (Barloworld), 38
Vítor Rodrigues (Liberty Seguros), 37
Hector Guerra (Liberty Seguros), 36
Martin Garrido (Duja-Tavira), 35
Bruno Neves (LA-MSS), 34
Tiago Machado (Riberalves-Boavista), 29
Manuel Vazquez (Andalucia-CajaSur), 28
Bruno Pires (LA-MSS), 28
Hélder Oliveira (Madeinox-Bric-Loulé), 26
René Hasselbacher (Astana), 24
Igor Anton (Euskaltel-Euskadi), 24
Lars Boom (Rabobank), 24
Cláudio Faria (LA-MSS), 23
Pedro Soeiro (Barbot-Halcon), 22
Francisco Pacheco (Barbot-Halcon), 22
Eladio Jimenez (Karpin-Galicia), 20
Manuel Lloret (Fuerteventura-Canarias), 20
Tomas Vaitkus (Discovery Channel), 20
César Quitério (Liberty Seguros), 18
Vladimir Karpets (Caísse D’Epargne), 18
José Azevedo (Benfica), 18
Félix Cardenas (Barloworld), 18
David Rebellin (Gerolsteiner), 18
Philippe Gilbert (Française dês Jeux), 18
Nuno Marta (Madeinox-Brica-Loulé), 16
Tyler Farrar (Cofidis), 16
Hugo Sabido (Barloworld), 16
José Rodrigues (Vitória-ASC), 15
António Jesus (Liberty Seguros), 13
Fernando Torres (Extremadura-Spiuk), 12
Pablo Urtasun (Liberty Seguros), 11
Ricardo Martins (Fercase – Paredes Rota dos Móveis), 10
Bernhard Eisel (T-Mobile), 10
Joaquim Sampaio (Riberalves-Boavista), 10
Hélder Magalhães (Riberalves-Boavista), 10
Angel Edo (ASC-Vitória), 10
Jacek Morajko (Riberalves-Boavista), 10
Sergio Herrero (Extremadura-Spiuk), 9
Gustavo Rodriguez (Fercase-Paredes Rota dos Móveis), 8
Pedro Barnabé (Fercase-Paredes Rota dos Móveis), 8
Gilberto Sampaio (Vitória-ASC), 8
Angel Vazquez (LA-MSS), 8
Nuno Ribeiro (Liberty Seguros), 8
Geoffroy Lequatre (Cofidis), 8
André Cardoso (Fercase – Paredes Rota dos Móveis), 7
Enrico Degano (Barloworld), 6
Gert Steegmans (Quickstep-Innergetic), 6
Mikel Gaztanaga (Agritubel), 6
Célio Sousa (Riberalves-Boavista), 6
Hernâni Broco (Liberty Seguros), 6
Haimar Zubeldia (Euskaltel-Euskadi), 6
Win van Huffel (Predictor-Lotto), 6
Roy Sentjens (Predictor-Lotto), 6
Santos Gonzalez (Karpin-Galicia), 6
Rui Pinto (Barbot-Halcon), 6
Frabrizio Guidi (Barloworld), 6
Thomas Ziegler (T-Mobile), 6
Alberto Losada (Caisse D’Epargne), 6
John-Lee Augustin (Barloworld), 6
Danail Petrov (Benfica), 6
Joaquin Sobrino (Relax-Gam), 6
Alexis Rodriguez (Fercase – Paredes Rota dos Móveis), 6
Ricardo Mestre (Duja-Tavira), 6
Lizuarte Martins (Madeinox-Bric-Loulé), 6
Jorge Nogaledo (Fercase-Paredes Rota dos Móveis), 5
Filipe Cardoso (Liberty Seguros), 5
José Sousa (Vitória-ASC), 5
Jimmy Casper (Unibet.com), 4
Vicente Ballester (Fueteventura-Canarias), 4
Fernando Sousa (Madeinox-Bric-Loulé), 4
José Antonio Garrido (LA-MSS), 4
Alexander Efimkin (Barloworld), 4
Jan Hruska (Relax-Gam), 4
Rik Verbrugghe (Cofidis), 4
Christopher Sutton (Cofidis), 4
Rogério Batista (LA-MSS), 4
Vergílio Santos (Riberalves-Boavista), 4
Amtonio D’Aniello (Ceramica Flaminia), 4
Juan Gomis (Vitória-ASC), 4
Jordi Grau (Liberty Seguros), 4
João Cabreira (LA-MSS), 3
Carlos Nozal (Liberty Seguros), 3
Hugo Vítor (Riberalves-Boavista), 3
Fábio Bento (Fonotel- O Braga), 3
Juan Mora (Extremadura-Spiuk), 3
Jesus Ramirez (Extremadura-Spiuk), 3
Pedro Hermida (Madeinox-Bric-Loulé), 3
Joaquim Gregório (Madeinox-Bric-Loulé), 3
Marco Cunha (Madeinox-Bric-Loulé), 3
Sérgio Sousa (Madeinox-Bric-Loulé), 3
Micael Isidoro (Vitória-ASC), 3
Pedro Costa (Vitória-ASC), 3
Javier Moreno (Extremadura-Spiuk), 2
Maarten Wynants ( Quickstep-Innergetic), 2
Olaf Pollack (Wiesenhof Felt), 2
Alejandro Marque (Madeinox-Bric-Loulé), 2
Samuel Caldeira (Duja-Tavira), 2
Paul Sneeboer (Duja-Tavira), 2
Tom Veelers (Rabobank), 2
Rony Martias (Bouygues Telecom), 2
Ricardo Serrano (Tinkoff Credit Systems), 2
Claus Moller (Barbot-Halcon), 2
Mikhaylo Khailov (Ceramica Flaminia), 2
Diego Milan (Grupo Nicolas Mateos), 2
Stefan Kushlev (Riberalves-Boavista), 1
Nelson Vitorino (Duja-Tavira), 1
Hélder Leal (Casactiva-Quinta das Arcas-Madeilongo), 1
David Vaz (Casactiva-Quinta das Arcas-Madeilongo), 1
Equipas
LA-MSS, 254
Liberty Seguros, 254
Madeinox-Bric-Loulé, 156
Riberalves-Boavista, 125
Barloworld, 114
Duja-Tavira, 113
Benfica, 74
Barbot-Halcon, 67
Vitória-ASC, 53
Milram, 52
Astana, 44
Rabobank, 38
Caísse D’Epargne, 36
Fercase-Paredes Rota dos Móveis, 34
Karpin-Galicia, 34
Cofidis,32
Discovery Channel, 32
Euskaltel-Euskadi, 30
Andalucia-CajaSur, 28
Fuerteventura-Canarias, 24
Gerolsteiner, 18
Française des Jeux, 18
T-Mobile, 16
Predictor-Lotto, 12
Relax-Gam, 10
Quickstep-Innergetic, 8
Fonotel-Residencial O Braga-Lourinhanense, 7
Agritubel, 6
Extremadura-Spiuk, 6
Cerâmica Flamina, 6
Unibet.com, 4
Tinkoff Credit Systems, 2
Wiesenhof Felt, 2
Bouygues Telecom, 2
Grupo Nicolas Mateos, 2
Entre as equipas, destaca-se o mano-a-mano entre a LA-MSS e a Liberty Seguros. As duas equipas somam os mesmos pontos e ambas têm o mesmo número de vitórias em 2007. Mantém-se este ano o duelo das épocas anteriores e nem o o Benfica, com o seu orçamento milinário, consegue intrometer-se, sendo certo que o Prémio Pedaladas contempla todas as corridas realizadas em Portugal, muitas das quais vedadas ao Benfica devido ao seu escalão superior. O terceiro lugar colectivo é ocupado por um conjunto tido como modesto, mas que tem vindo a dar cartas sob o comando de Emídio Pinto, a Madeinox-Bric-Loulé.
Individual
David Blanco (Duja-Tavira), 59 pontos
Javier Benitez (Benfica), 56
Cândido Barbosa (Liberty Seguros), 50
André Vital (Madeinox-Bric-Loulé), 48
Pedro Cardoso (LA-MSS), 45
Alessandro Petacchi (Milram), 44
Xavier Tondo (LA-MSS), 42
Manuel Cardoso (Riberalves-Boavista), 41
Robert Hunter (Barloworld), 38
Vítor Rodrigues (Liberty Seguros), 37
Hector Guerra (Liberty Seguros), 36
Martin Garrido (Duja-Tavira), 35
Bruno Neves (LA-MSS), 34
Tiago Machado (Riberalves-Boavista), 29
Manuel Vazquez (Andalucia-CajaSur), 28
Bruno Pires (LA-MSS), 28
Hélder Oliveira (Madeinox-Bric-Loulé), 26
René Hasselbacher (Astana), 24
Igor Anton (Euskaltel-Euskadi), 24
Lars Boom (Rabobank), 24
Cláudio Faria (LA-MSS), 23
Pedro Soeiro (Barbot-Halcon), 22
Francisco Pacheco (Barbot-Halcon), 22
Eladio Jimenez (Karpin-Galicia), 20
Manuel Lloret (Fuerteventura-Canarias), 20
Tomas Vaitkus (Discovery Channel), 20
César Quitério (Liberty Seguros), 18
Vladimir Karpets (Caísse D’Epargne), 18
José Azevedo (Benfica), 18
Félix Cardenas (Barloworld), 18
David Rebellin (Gerolsteiner), 18
Philippe Gilbert (Française dês Jeux), 18
Nuno Marta (Madeinox-Brica-Loulé), 16
Tyler Farrar (Cofidis), 16
Hugo Sabido (Barloworld), 16
José Rodrigues (Vitória-ASC), 15
António Jesus (Liberty Seguros), 13
Fernando Torres (Extremadura-Spiuk), 12
Pablo Urtasun (Liberty Seguros), 11
Ricardo Martins (Fercase – Paredes Rota dos Móveis), 10
Bernhard Eisel (T-Mobile), 10
Joaquim Sampaio (Riberalves-Boavista), 10
Hélder Magalhães (Riberalves-Boavista), 10
Angel Edo (ASC-Vitória), 10
Jacek Morajko (Riberalves-Boavista), 10
Sergio Herrero (Extremadura-Spiuk), 9
Gustavo Rodriguez (Fercase-Paredes Rota dos Móveis), 8
Pedro Barnabé (Fercase-Paredes Rota dos Móveis), 8
Gilberto Sampaio (Vitória-ASC), 8
Angel Vazquez (LA-MSS), 8
Nuno Ribeiro (Liberty Seguros), 8
Geoffroy Lequatre (Cofidis), 8
André Cardoso (Fercase – Paredes Rota dos Móveis), 7
Enrico Degano (Barloworld), 6
Gert Steegmans (Quickstep-Innergetic), 6
Mikel Gaztanaga (Agritubel), 6
Célio Sousa (Riberalves-Boavista), 6
Hernâni Broco (Liberty Seguros), 6
Haimar Zubeldia (Euskaltel-Euskadi), 6
Win van Huffel (Predictor-Lotto), 6
Roy Sentjens (Predictor-Lotto), 6
Santos Gonzalez (Karpin-Galicia), 6
Rui Pinto (Barbot-Halcon), 6
Frabrizio Guidi (Barloworld), 6
Thomas Ziegler (T-Mobile), 6
Alberto Losada (Caisse D’Epargne), 6
John-Lee Augustin (Barloworld), 6
Danail Petrov (Benfica), 6
Joaquin Sobrino (Relax-Gam), 6
Alexis Rodriguez (Fercase – Paredes Rota dos Móveis), 6
Ricardo Mestre (Duja-Tavira), 6
Lizuarte Martins (Madeinox-Bric-Loulé), 6
Jorge Nogaledo (Fercase-Paredes Rota dos Móveis), 5
Filipe Cardoso (Liberty Seguros), 5
José Sousa (Vitória-ASC), 5
Jimmy Casper (Unibet.com), 4
Vicente Ballester (Fueteventura-Canarias), 4
Fernando Sousa (Madeinox-Bric-Loulé), 4
José Antonio Garrido (LA-MSS), 4
Alexander Efimkin (Barloworld), 4
Jan Hruska (Relax-Gam), 4
Rik Verbrugghe (Cofidis), 4
Christopher Sutton (Cofidis), 4
Rogério Batista (LA-MSS), 4
Vergílio Santos (Riberalves-Boavista), 4
Amtonio D’Aniello (Ceramica Flaminia), 4
Juan Gomis (Vitória-ASC), 4
Jordi Grau (Liberty Seguros), 4
João Cabreira (LA-MSS), 3
Carlos Nozal (Liberty Seguros), 3
Hugo Vítor (Riberalves-Boavista), 3
Fábio Bento (Fonotel- O Braga), 3
Juan Mora (Extremadura-Spiuk), 3
Jesus Ramirez (Extremadura-Spiuk), 3
Pedro Hermida (Madeinox-Bric-Loulé), 3
Joaquim Gregório (Madeinox-Bric-Loulé), 3
Marco Cunha (Madeinox-Bric-Loulé), 3
Sérgio Sousa (Madeinox-Bric-Loulé), 3
Micael Isidoro (Vitória-ASC), 3
Pedro Costa (Vitória-ASC), 3
Javier Moreno (Extremadura-Spiuk), 2
Maarten Wynants ( Quickstep-Innergetic), 2
Olaf Pollack (Wiesenhof Felt), 2
Alejandro Marque (Madeinox-Bric-Loulé), 2
Samuel Caldeira (Duja-Tavira), 2
Paul Sneeboer (Duja-Tavira), 2
Tom Veelers (Rabobank), 2
Rony Martias (Bouygues Telecom), 2
Ricardo Serrano (Tinkoff Credit Systems), 2
Claus Moller (Barbot-Halcon), 2
Mikhaylo Khailov (Ceramica Flaminia), 2
Diego Milan (Grupo Nicolas Mateos), 2
Stefan Kushlev (Riberalves-Boavista), 1
Nelson Vitorino (Duja-Tavira), 1
Hélder Leal (Casactiva-Quinta das Arcas-Madeilongo), 1
David Vaz (Casactiva-Quinta das Arcas-Madeilongo), 1
Equipas
LA-MSS, 254
Liberty Seguros, 254
Madeinox-Bric-Loulé, 156
Riberalves-Boavista, 125
Barloworld, 114
Duja-Tavira, 113
Benfica, 74
Barbot-Halcon, 67
Vitória-ASC, 53
Milram, 52
Astana, 44
Rabobank, 38
Caísse D’Epargne, 36
Fercase-Paredes Rota dos Móveis, 34
Karpin-Galicia, 34
Cofidis,32
Discovery Channel, 32
Euskaltel-Euskadi, 30
Andalucia-CajaSur, 28
Fuerteventura-Canarias, 24
Gerolsteiner, 18
Française des Jeux, 18
T-Mobile, 16
Predictor-Lotto, 12
Relax-Gam, 10
Quickstep-Innergetic, 8
Fonotel-Residencial O Braga-Lourinhanense, 7
Agritubel, 6
Extremadura-Spiuk, 6
Cerâmica Flamina, 6
Unibet.com, 4
Tinkoff Credit Systems, 2
Wiesenhof Felt, 2
Bouygues Telecom, 2
Grupo Nicolas Mateos, 2
Quinta-feira, Junho 21, 2007
Os cangalheiros
O Manuel José Madeira revela no seu Veloluso que o semanário espanhol de ciclismo Meta 2 Mil dedicou o editorial a zurzir no professor José Santos e na mais séria tentativa feita pelo ciclismo português, nos últimos anos, para combater o doping.
O editoralista afirma que o director desportivo do Boavista é o mentor
do projecto de código de ética que está em fase de implementação com vista à próxima Volta a Portugal. Jorge Quintana lá saberá quem lhe soprou essa informação - ou será desinformação? -, mas isso é irrelevante. O que me choca são os considerandos do senhor sobre a tentativa de limpar o ciclismo português.
Num jornal de referência como é o Meta 2 Mil seria de esperar argumentos mais argutos e inovadores do que a estafada comparação entre o ciclismo e outras modalidades. Perguntar por que têm de estar localizáveis os ciclistas e não os demais desportistas é intelectualmente desonesto. O que está em causa na localização dos corredores é a possibilidade de serem feitos controlos fora de competição. Nas modalidades colectivas, como o futebol, o basquetebol, o andebol, etc. os desportistas estão localizáveis e são submetidos a controlos fora de competição. Basta às brigadas médicas aparecerem nos locais de treino da equipa para controlarem os desportistas que entenderem. No ciclismo, no atletismo, na vela, etc., porque são modalidades individuais, cada praticante treina por sua conta e risco e não em conjunto com o resto da equipa. Será tão difícil perceber que só podendo localizar os corredores será possível trazer alguma equidade na comparação entre o ciclismo e o futebol, por exemplo?
O mais grave no texto de Jorge Quintana é, contudo, a passagem em que o editorialista afirma que o código de ética a ser implementado em Portugal irá «gerar polémica e escândalos». Ou seja, quem parte do pressuposto que o ciclismo em Portugal é um antro de drogados é o senhor Quintana. Ele tem a certeza que o apertar da malha vai caçar algumas presas. Se é assim, ele tem a certeza que temos aqui prevaricadores e não acredita no efeito preventivo do código de ética. Parece-me lamentável.
Como jornalista, respeito a identidade das fontes de informação que optam por não se identificar. Mas que tenho alguma curiosidade em relação à fonte do Meta 2 Mil, lá isso tenho. Ajudaria a perceber muita coisa saber quem tem medo da luta contra o doping em Portugal.
Por fim, custa-me a engolir que quem vive do ciclismo, como um jornal da modalidade, prefere que se deixe estar tudo como está, não levantando ondas, de modo a que o negócio corra pelo melhor, mesmo que baseado na mentira. Esta atitude parece a do cangalheiro que diz: «Não quero que ninguém morra, mas quero que a vida me corra».
O editoralista afirma que o director desportivo do Boavista é o mentor
do projecto de código de ética que está em fase de implementação com vista à próxima Volta a Portugal. Jorge Quintana lá saberá quem lhe soprou essa informação - ou será desinformação? -, mas isso é irrelevante. O que me choca são os considerandos do senhor sobre a tentativa de limpar o ciclismo português.
Num jornal de referência como é o Meta 2 Mil seria de esperar argumentos mais argutos e inovadores do que a estafada comparação entre o ciclismo e outras modalidades. Perguntar por que têm de estar localizáveis os ciclistas e não os demais desportistas é intelectualmente desonesto. O que está em causa na localização dos corredores é a possibilidade de serem feitos controlos fora de competição. Nas modalidades colectivas, como o futebol, o basquetebol, o andebol, etc. os desportistas estão localizáveis e são submetidos a controlos fora de competição. Basta às brigadas médicas aparecerem nos locais de treino da equipa para controlarem os desportistas que entenderem. No ciclismo, no atletismo, na vela, etc., porque são modalidades individuais, cada praticante treina por sua conta e risco e não em conjunto com o resto da equipa. Será tão difícil perceber que só podendo localizar os corredores será possível trazer alguma equidade na comparação entre o ciclismo e o futebol, por exemplo?
O mais grave no texto de Jorge Quintana é, contudo, a passagem em que o editorialista afirma que o código de ética a ser implementado em Portugal irá «gerar polémica e escândalos». Ou seja, quem parte do pressuposto que o ciclismo em Portugal é um antro de drogados é o senhor Quintana. Ele tem a certeza que o apertar da malha vai caçar algumas presas. Se é assim, ele tem a certeza que temos aqui prevaricadores e não acredita no efeito preventivo do código de ética. Parece-me lamentável.
Como jornalista, respeito a identidade das fontes de informação que optam por não se identificar. Mas que tenho alguma curiosidade em relação à fonte do Meta 2 Mil, lá isso tenho. Ajudaria a perceber muita coisa saber quem tem medo da luta contra o doping em Portugal.
Por fim, custa-me a engolir que quem vive do ciclismo, como um jornal da modalidade, prefere que se deixe estar tudo como está, não levantando ondas, de modo a que o negócio corra pelo melhor, mesmo que baseado na mentira. Esta atitude parece a do cangalheiro que diz: «Não quero que ninguém morra, mas quero que a vida me corra».
Domingo, Junho 17, 2007
GP CTT Correios - Análise

A oitava edição do GP CTT Correios terminou hoje, consagrando Pedro Cardoso (LA-MSS)
como vencedor. Quando uma vitória nasce do esforço e de uma estratégia de equipa planeada ao milímetro, como foi o caso, temos sempre de considerá-la justa. No entanto, dói ver o que aconteceu a André Vital (Madeinox-Bric-Loulé). O jovem minhoto venceu no alto da Torre, chegou ao último dia de amarelo, terminou a corrida com o mesmo tempo de Pedro Cardoso e... ficou em segundo na Geral, através do desempate por pontos. Tendo em conta que é a segunda vez nesta época que Vital chega ao último dia de amarelo e acaba por perder a corrida - já acontecera na Volta ao Alentejo - ainda mais doloroso é o desfecho deste GP CTT Correios. Mas esta é a essência do ciclismo: emoções humanas à flor da pele, esforço, glória, sorte e azar.

A prova começou como se esperava. As duas tiradas iniciais terminaram com discussões ao sprint. A única surpresa residiu na absoluta incapacidade de os velocistas portugueses para discutirem estas vitórias. No primeiro dia, a glória coube a Enrico Degano (Barloworld). Na jornada seguinte, foi o estadunidense Tyler Farrar a erguer os braços e, simultaneamente, a arrebatar a camisola amarela.
O dia mais esperado era o terceiro, a ligação entre Aveiro e o alto da Torre. Se uma chegada naquele local é sempre duríssima, quando acontece sob o frio e chuva que atacaram a caravana desta feita o esforço dos ciclistas é épico. O melhor de todos foi André Vital, que conseguiu suplantar os adversários e subir ao comando da classificação Geral.
A derradeira etapa, disputada num terreno acidentado, foi aproveitada pelas equipas descontentes com o resultado da véspera para lançar as suas principais armas. O pelotão cedo se desfez. Na frente, formou-se um quarteto de luxo. Pedro Cardoso e Bruno Pires (LA-MSS), José Azevedo (Benfica) e Tiago Machado (Riberalves-Boavista). Ficou claro que Manuel Zeferino não se contentava com o terceiro lugar de Xavier Tondo e que lançou as suas pedras estrategicamente. Fê-lo com mestria e acabou por ter a sorte dos campeões. A etapa foi para José Azevedo, fraco pecúlio para o principal favorito, mas Pedro Cardoso, mercê da vantagem na meta e da bonificação, sagrou-se vencedor da corrida, com o mesmo tempo que André Vital, mas com melhor somatório em termos de posicionamento no conjunto das quatro etapas.

A discussão pela camisola amarela final travou-se nas duas etapas finais, mas desde o primeiro quilómetro da competição que ficou patente qual a equipa que mais queria chegar à vitória. Refiro-me ao Benfica, cujos ciclistas sempre impuseram o ritmo no pelotão, numa demonstração de confiança no chefe-de-fila, José Azevedo. No entanto, o vila-condense claudicou na subida à Torre, ficando arredado dos primeiros dez da Geral. Com o brio profissional que todos lhe reconhecem, saltou do pelotão na última etapa e limpou a honra cortando a meta em primeiro lugar na tirada definitiva. Não chega para apagar a má imagem dada pela equipa, mas dá um voto de esperança para o futuro.
LA-MSS

Tendo em conta que este GP CTT Correios, pelo seu desenho, especialmente pela chegada na Torre, era um importante teste para a Volta a Portugal, há algumas coisas a reter. Desde logo, a pujança da LA-MSS. O desempenho dos pupilos de Manuel Zeferino não se limitou à vitória de Pedro Cardoso. Outros dois corredores maiatos, Xavier Tondo (4º) e Angel Vazquez (7º) terminaram entre os dez primeiros.
A Liberty Seguros deixou Nuno Ribeiro de fora desta corrida e fez alinhar um Cândido Barbosa em início de preparação para um pico de forma na Volta a Portugal. Sem contar com os dois melhores homens da equipa para tentar a vitória, Américo Silva conseguiu, ainda assim, ter uma participação com algum brilho. Vítor Rodrigues (5º), António Jesus (8º) e Jordi Grau (10º) conseguiram andar sempre junto dos melhores.
A Madeinox-Bric-Loulé fez o que pôde no auxílio a André Vital e viu este seu corredor completar a prova na segunda posição, o que, sabendo a pouco, é um resultado bem meritório para o conjunto de Emídio Pinto, que não é dos mais bem apetrechados em termos de "mão-de-obra" do nosso pelotão. Outra equipa nacional que teve representantes no top-10 foi o Vitória-ASC, através do trepador José Rodrigues. O minhoto foi dos mais inconformados na subida à serra da Estrela e, por isso, foi premiado com o sexto posto final. Foi uma prova que correu bem, até porque o principal ciclista do conjunto de José Augusto Silva, Juan Gomis, não alinhou.
As restantes equipas nacionais quase passaram ao lado da corrida. O Riberalves-Boavista nunca conseguiu colocar Manuel Cardoso em condições de disputar os sprints com os melhores e viu Tiago Machado a ter um dia mau na etapa da Torre. O terceiro lugar do jovem famalicense no último dia foi um pequeno prémio de consolação, embora o facto de o plantel da equipa do Bessa ser curto explique as oscilações de desempenho dos seus principais corredores de uma prova para outra. A Duja-Tavira deixou de fora os seus principais corredores e, por isso, não se estranha que os resultados não hajam surgido. A Barbot-Halcon e a Fercase-Paredes Rota dos Móveis também não se mostrou.

Como teste com vista à Volta, o GP CTT Correios foi bastante útil. Mas foi bem mais do que isso. Tratou-se, provavelmente, da mais emocionante corrida disputada em Portugal em 2007. A variedade de percursos - só faltou um contra-relógio, mas em quatro dias não é fácil ir a todas - proporcionou uma belíssima prova. Tendo em conta as largas dezenas de internautas que têm chegado a este blogue, a partir de toda a Europa, pesquisando a expressão "GP CTT Correios", estou em crer que o ciclismo português voltou a mostrar aos amantes da modalidade de toda o Continente que neste rectângulo há bons corredores e competições espectaculares.
Fotos: PAD/JLS
Sábado, Junho 16, 2007
Uma Volta a Portugal a sério!
O percurso da Volta a Portugal, que será disputada de 4 a 15 de Agosto, já se vai conhecendo. Primeiro foi o Ciclismo Digital a revelar as localidades de partida e de chegada das etapas, hoje foi A Bola que se debruçou mais detalhadamente sobre o traçado. Após a leitura do diário desportivo, há uma conclusão imediata que se pode extrair: em 2007 voltaremos a ter uma Volta a Portugal a sério, ou seja, uma prova dura e com ingredientes para apaixonar os amantes da modalidade.
Antes de mais, o destaque, apesar de não ser novidade, tem de recair no regresso de um final de etapa à Torre. É ali, no ponto mais alto de Portugal Continental, que se fazem os nossos heróis velocipédicos. A essência máxima do ciclismo - emoção, esforço, drama - só se atinge verdadeiramente na serra da Estrela. Preferia que a ascensão se fizesse pela vertente da Covilhã, mas parece que a subida será por uma encosta menos dura... mas falar de menor dureza naquele local é quase uma andedota, pelo que se saúda vivamente o final da penúltima etapa da Volta 2007.
A grande novidade é, contudo, outro final de etapa em montanha. Trata-se da conclusão da ligação dwe 215Km - a mais longa da edição 69 da Volta a Portugal - entre Gouveia e Santo Tirso. A tirada vai acabar no alto da Senhora da Assunção, uma subida de 6,5Km, que tem troços com pendentes impressionantes, superiores a 15 por cento. O pelotão nacional não passa por ali há muitos anos, mas lembro-me que este local já foi palco de uma crono-escalada, salvo erro, num Grande Prémio O Jogo. Tendo em conta os desníveis existentes na subida e a extensão de toda esta etapa, julgo que poderá ser ainda mais decisiva do que a escalada à Senhora da Graça.
Em termos de decisão da corrida teremos ainda de contar com o dia em que a caravana chegará ao Monte Farinha, faltando saber se depois de uma jornada duríssima, como nos anos anteriores, ou se num dia orograficamente mais calmo, tendo em conta as dificuldades mais distribuídas pelos vários dias de corrida. Por fim, há o contra-relógio do último dia, em Viseu. São 38Km determinantes para apurar o vencedor.
Acrescentando dureza, teremos ainda a terceira tirada com final em Gouveia e passagem pelas Penhas Douradas e a tradicionalmente difícil etapa com final em Fafe, no dia seguinte à chegada à Senhora da Assunção.
Perante este cenário, estou em crer que os adeptos de ciclismo terão uma Volta de puro deleite. Mas há outros ingredientes que acrescentarão emoção e interesse pela corrida.
Por um lado, o regresso do Benfica ao ciclismo é suficiente para aumentar o valor mediático da corrida e a expectativa de muitos portugueses não tão próximos do ciclismo. Por outro lado, pela primeira vez, teremos em confronto pela vitória final os dois ciclistas nacionais mais carismáticos da última década: Cândido Barbosa e José Azevedo.
Tudo somado, não tenho dúvidas de que a Volta deste ano será memorável.
Antes de mais, o destaque, apesar de não ser novidade, tem de recair no regresso de um final de etapa à Torre. É ali, no ponto mais alto de Portugal Continental, que se fazem os nossos heróis velocipédicos. A essência máxima do ciclismo - emoção, esforço, drama - só se atinge verdadeiramente na serra da Estrela. Preferia que a ascensão se fizesse pela vertente da Covilhã, mas parece que a subida será por uma encosta menos dura... mas falar de menor dureza naquele local é quase uma andedota, pelo que se saúda vivamente o final da penúltima etapa da Volta 2007.
A grande novidade é, contudo, outro final de etapa em montanha. Trata-se da conclusão da ligação dwe 215Km - a mais longa da edição 69 da Volta a Portugal - entre Gouveia e Santo Tirso. A tirada vai acabar no alto da Senhora da Assunção, uma subida de 6,5Km, que tem troços com pendentes impressionantes, superiores a 15 por cento. O pelotão nacional não passa por ali há muitos anos, mas lembro-me que este local já foi palco de uma crono-escalada, salvo erro, num Grande Prémio O Jogo. Tendo em conta os desníveis existentes na subida e a extensão de toda esta etapa, julgo que poderá ser ainda mais decisiva do que a escalada à Senhora da Graça.
Em termos de decisão da corrida teremos ainda de contar com o dia em que a caravana chegará ao Monte Farinha, faltando saber se depois de uma jornada duríssima, como nos anos anteriores, ou se num dia orograficamente mais calmo, tendo em conta as dificuldades mais distribuídas pelos vários dias de corrida. Por fim, há o contra-relógio do último dia, em Viseu. São 38Km determinantes para apurar o vencedor.
Acrescentando dureza, teremos ainda a terceira tirada com final em Gouveia e passagem pelas Penhas Douradas e a tradicionalmente difícil etapa com final em Fafe, no dia seguinte à chegada à Senhora da Assunção.
Perante este cenário, estou em crer que os adeptos de ciclismo terão uma Volta de puro deleite. Mas há outros ingredientes que acrescentarão emoção e interesse pela corrida.
Por um lado, o regresso do Benfica ao ciclismo é suficiente para aumentar o valor mediático da corrida e a expectativa de muitos portugueses não tão próximos do ciclismo. Por outro lado, pela primeira vez, teremos em confronto pela vitória final os dois ciclistas nacionais mais carismáticos da última década: Cândido Barbosa e José Azevedo.
Tudo somado, não tenho dúvidas de que a Volta deste ano será memorável.
Quarta-feira, Junho 13, 2007
Código de ética
A Volta a Portugal vai ter um código de ética. É uma boa notícia para o ciclismo português. Os organizadores de corridas investem muito dinheiro para colocar o pelotão na estrada. Para obterem retorno precisam de angariar patrocinadores e estes não querem estar associados a escândalos de dopagem. Assim, fez bem a organização da Volta em propor a adopção de um código de ética. E farão bem todos aqueles que o aceitem sem o desvirtuarem, porque, pelo que tenho lido n' O Jogo, ainda decorrerão alguns dias até que seja firmada a redacção final do código de ética.
O que li e as novidades que se pretende introduzir parecem-me razoáveis. Os testes ao hematócrito, dois dias antes do começo da competição, são uma proposta que me apanhou de surpresa: julguei que já estivesse em vigor na prova portuguesa, lamento a minha ignorância, mas mais ainda o atraso do combate ao doping no nosso País. O impedimento de participação na corrida aos ciclistas e directores desportivos suspeitos de recurso a práticas proibidas parecem-me lógicos. Se é certo que qualquer corredor pode tomar o que quiser sem dizer nada ao seu director desportivo, é este o líder da equipa, pelo que tem de ser responsabilizado, pelo menos até provar a sua inocência. A realização de dois testes de perfil sanguíneo feitos a todos os ciclistas no mês anterior à Volta também se me afigura razoável e um bom passo no sentido de ajudar o ciclismo a limpar-se.
Hão-de reparar que comecei este texto pela vertente economicista da coisa. Ou seja, reflecti sobre a importância de evitar os escândalos para não desgastar ainda mais a imagem da modalidade junto dos investidores. Referi-me a isso e não ao combate à batota porque ainda não tenho nas mãos todos os dados. Falta-me saber se o código de ética a assinar irá ou não vincular as equipas estrangeiras convidadas para a Volta a Portugal. O assunto tem estado a ser debatido pelos representantes dos principais intervenientes no ciclismo português. Será que o documento que sair daqui irá ser aceite pelas equipas estrangeiras? E se não for, a organização terá capacidade "negocial" para ditar a imedita exclusão desses conjuntos?
O que li e as novidades que se pretende introduzir parecem-me razoáveis. Os testes ao hematócrito, dois dias antes do começo da competição, são uma proposta que me apanhou de surpresa: julguei que já estivesse em vigor na prova portuguesa, lamento a minha ignorância, mas mais ainda o atraso do combate ao doping no nosso País. O impedimento de participação na corrida aos ciclistas e directores desportivos suspeitos de recurso a práticas proibidas parecem-me lógicos. Se é certo que qualquer corredor pode tomar o que quiser sem dizer nada ao seu director desportivo, é este o líder da equipa, pelo que tem de ser responsabilizado, pelo menos até provar a sua inocência. A realização de dois testes de perfil sanguíneo feitos a todos os ciclistas no mês anterior à Volta também se me afigura razoável e um bom passo no sentido de ajudar o ciclismo a limpar-se.
Hão-de reparar que comecei este texto pela vertente economicista da coisa. Ou seja, reflecti sobre a importância de evitar os escândalos para não desgastar ainda mais a imagem da modalidade junto dos investidores. Referi-me a isso e não ao combate à batota porque ainda não tenho nas mãos todos os dados. Falta-me saber se o código de ética a assinar irá ou não vincular as equipas estrangeiras convidadas para a Volta a Portugal. O assunto tem estado a ser debatido pelos representantes dos principais intervenientes no ciclismo português. Será que o documento que sair daqui irá ser aceite pelas equipas estrangeiras? E se não for, a organização terá capacidade "negocial" para ditar a imedita exclusão desses conjuntos?
Sábado, Junho 09, 2007
Jornal Ciclismo
Trata-se de um projecto tripartido entre mim, o jornalista João Santos e o designer gráfico Sérgio Braga. Está em fase de lançamento e o número experimental de apresentação pode ser espreitado aqui. Em breve haverá mais novidades.
Quinta-feira, Junho 07, 2007
GP CTT Correios - Antevisão
O calendário nacional entra agora na fase mais dura, que antecede e prepara o nosso pelotão para uma Volta a Portugal que se adivinha a mais dura dos últimos anos. Nesta de linha de provas endurecidas entra a próxima corrida internacional, o 8º GP CTT Correios, que se disputa de 14 a 17 deste mês.
A nota mais saliente desta competição é o final da terceira etapa, no alto da Torre, após 30,7Km de ascensão, de Seia até ao ponto mais alto de Portugal Continental. Estando longe de ser inédito na história do ciclismo nacional, não deixa de ser raro ver uma tirada a terminar ali fora da Volta a Portugal. Mas é uma medida bem-vinda. O nosso pelotão tem escassez de dureza e quando chega à Volta confronta-se com dificuldades para as quais não se preparou em competição durante a temporada.
Outra característica deste 8º GP CTT Correios que pode ser um importante aliado dos nossos ciclistas na preparação da Volta são as duas primeiras etapas, ambas com quase 200Km de estensão, previsivelmente corridas sob tempo quente.
Esta longa introdução faz parecer que, na minha opinião, o 8º GP CTT Correios serve apenas de aperitivo e de preparação. Nada mais falso. A corrida, da forma como está desenhada, vale por si e tem ingredientes, em termos de percurso, para fazer dela um grande espectáculo. Só não sei é se os nossos corredores e os nossos directores desportivos irão abordá-la com todas as ganas de vencer ou se... vão encarar a corrida como mais uma etapa de preparação para a Volta a Portugal. Os quatro dias de estrada tirarão as dúvidas. Sendo certo, no entanto, que pelos menos três equipas investem menos no GP CTT do que seria desejável por quem gosta de espectáculo, embora de forma compreensível: Os principais homens da Liberty Seguros (Cândido Barbosa), da Duja-Tavira (David Blanco e Ricardo Mestre) e do Vitória-ASC (Juan Gomis) não constam da lista de inscritos.
Ainda assim, a lista de inscritos contempla grande parte dos melhores valores nacionais. O mesmo não se pode dizer das equipas que nos visitam. Apenas uma é do escalão Pro Tour, a Cofidis, e mesmo essa vem com terceiros planos. Apesar disso, o vencedor poderá ser um dos forasteiros. A Barloworld, na qual se incluem Pedro Arreitunandia e Hugo Sabido, desejosos de conseguir uma vaga na equipa escalada para o Tour, pode discutir a vitória. O mesmo sucedendo com a Fuerteventura Canarias, através do nosso conhecido David Bernabeu. Isidro Nozal, da Karpin Galicia, estando inspirado é também um corredor a ter em conta. De resto e se a lógica prevalecer, serão os portugueses a mandar. José Azevedo está em crescendo de forma e tem aqui uma boa oportunidade para exorcizar fantasmas da serra da Estrela, Nuno Ribeiro tentará recordar glórias passadas, os maiatos têm um conjunto homogéneo e ambicioso.
Nos dois primeiros dias, assim como no último, esperam-se chegadas ao sprint. A terceira etapa, com final na Torre, será determinante e, previsivelmente, decidirá o vencedor.
A nota mais saliente desta competição é o final da terceira etapa, no alto da Torre, após 30,7Km de ascensão, de Seia até ao ponto mais alto de Portugal Continental. Estando longe de ser inédito na história do ciclismo nacional, não deixa de ser raro ver uma tirada a terminar ali fora da Volta a Portugal. Mas é uma medida bem-vinda. O nosso pelotão tem escassez de dureza e quando chega à Volta confronta-se com dificuldades para as quais não se preparou em competição durante a temporada.
Outra característica deste 8º GP CTT Correios que pode ser um importante aliado dos nossos ciclistas na preparação da Volta são as duas primeiras etapas, ambas com quase 200Km de estensão, previsivelmente corridas sob tempo quente.
Esta longa introdução faz parecer que, na minha opinião, o 8º GP CTT Correios serve apenas de aperitivo e de preparação. Nada mais falso. A corrida, da forma como está desenhada, vale por si e tem ingredientes, em termos de percurso, para fazer dela um grande espectáculo. Só não sei é se os nossos corredores e os nossos directores desportivos irão abordá-la com todas as ganas de vencer ou se... vão encarar a corrida como mais uma etapa de preparação para a Volta a Portugal. Os quatro dias de estrada tirarão as dúvidas. Sendo certo, no entanto, que pelos menos três equipas investem menos no GP CTT do que seria desejável por quem gosta de espectáculo, embora de forma compreensível: Os principais homens da Liberty Seguros (Cândido Barbosa), da Duja-Tavira (David Blanco e Ricardo Mestre) e do Vitória-ASC (Juan Gomis) não constam da lista de inscritos.
Ainda assim, a lista de inscritos contempla grande parte dos melhores valores nacionais. O mesmo não se pode dizer das equipas que nos visitam. Apenas uma é do escalão Pro Tour, a Cofidis, e mesmo essa vem com terceiros planos. Apesar disso, o vencedor poderá ser um dos forasteiros. A Barloworld, na qual se incluem Pedro Arreitunandia e Hugo Sabido, desejosos de conseguir uma vaga na equipa escalada para o Tour, pode discutir a vitória. O mesmo sucedendo com a Fuerteventura Canarias, através do nosso conhecido David Bernabeu. Isidro Nozal, da Karpin Galicia, estando inspirado é também um corredor a ter em conta. De resto e se a lógica prevalecer, serão os portugueses a mandar. José Azevedo está em crescendo de forma e tem aqui uma boa oportunidade para exorcizar fantasmas da serra da Estrela, Nuno Ribeiro tentará recordar glórias passadas, os maiatos têm um conjunto homogéneo e ambicioso.
Nos dois primeiros dias, assim como no último, esperam-se chegadas ao sprint. A terceira etapa, com final na Torre, será determinante e, previsivelmente, decidirá o vencedor.
Segunda-feira, Junho 04, 2007
Prémio Pedaladas - Maio
Com alguns dias de atraso, aqui fica o ranking Pedaladas no final de Maio.
A nível individual, o comando continua a pertencer a Javier Benitez (Benfica), mas o destaque vai para a entrada de David Blanco para os três primeiros, mercê do seu triunfo no GP Paredes Rota dos Móveis. Também digno de registo é o posicionamento de Cândido Barbosa na nona posição, o que se trata de um feito com significado, se tivermos em consideração que o ciclista de Rebordosa começou a época apenas em Abril.
Colectivamente, a LA-MSS saltou para a primeira posição. A Liberty Seguros manteve-se na vice-liderança, ao passo que a Barloworld baixou do primeiro para o terceiro lugar.
Individual
Javier Benitez (Benfica), 56 pontos
Alessandro Petacchi (Milram), 44
David Blanco (Duja-Tavira), 44
Martin Garrido (Duja-Tavira), 35
Robert Hunter (Barloworld), 34
Manuel Cardoso (Riberalves-Boavista), 32
Bruno Neves (LA-MSS), 32
Manuel Vazquez (Andalucia-CajaSur), 28
Cândido Barbosa (Liberty Seguros), 28
Bruno Pires (LA-MSS), 28
Xavier Tondo (LA-MSS), 26
René Hasselbacher (Astana), 24
Igor Anton (Euskaltel-Euskadi), 24
Lars Boom (Rabobank), 24
Tiago Machado (Riberalves-Boavista), 22
Hector Guerra (Liberty Seguros), 22
Manuel Lloret (Fuerteventura-Canarias), 20
Tomas Vaitkus (Discovery Channel), 20
Pedro Soeiro (Barbot-Halcon), 19
César Quitério (Liberty Seguros), 18
Vladimir Karpets (Caísse D’Epargne), 18
Félix Cardenas (Barloworld), 18
André Vital (Madeinox-Bric-Loulé), 18
David Rebellin (Gerolsteiner), 18
Philippe Gilbert (Française dês Jeux), 18
Nuno Marta (Madeinox-Brica-Loulé), 16
Hugo Sabido (Barloworld), 16
Pedro Cardoso (LA-MSS), 15
Francisco Pacheco (Barbot-Halcon), 13
Bernhard Eisel (T-Mobile), 10
Angel Edo (ASC-Vitória), 10
Nuno Ribeiro (Liberty Seguros), 8
Geoffroy Lequatre (Cofidis), 8
Cláudio Faria (LA-MSS), 7
Gert Steegmans (Quickstep-Innergetic), 6
Mikel Gaztanaga (Agritubel), 6
Célio Sousa (Riberalves-Boavista), 6
Haimar Zubeldia (Euskaltel-Euskadi), 6
Win van Huffel (Predictor-Lotto), 6
Roy Sentjens (Predictor-Lotto), 6
Santos Gonzalez (Karpin-Galicia), 6
Frabrizio Guidi (Barloworld), 6
Thomas Ziegler (T-Mobile), 6
Alberto Losada (Caisse D’Epargne), 6
John-Lee Augustin (Barloworld), 6
Danail Petrov (Benfica), 6
Joaquin Sobrino (Relax-Gam), 6
Alexis Rodriguez (Fercase – Paredes Rota dos Móveis), 6
André Cardoso (Fercase – Paredes Rota dos Móveis), 6
José Rodrigues (Vitória-ASC), 5
Pablo Urtasun (Liberty Seguros), 5
Hélder Oliveira (Madeinox-Bric-Loulé), 4
Jimmy Casper (Unibet.com), 4
Alexander Efimkin (Barloworld), 4
Jan Hruska (Relax-Gam), 4
Rik Verbrugghe (Cofidis), 4
Christopher Sutton (Cofidis), 4
Virgílio Santos (Riberalves-Boavista), 4
Amtonio D’Aniello (Ceramica Flaminia), 4
Marco Cunha (Madeinox-Bric-Loulé), 3
Sérgio Sousa (Madeinox-Bric-Loulé), 3
Maarten Wynants ( Quickstep-Innergetic), 2
Jorge Nogaledo (Fercase-Paredes Rota dos Móveis), 2
Olaf Pollack (Wiesenhof Felt), 2
Alejandro Marque (Madeinox-Bric-Loulé), 2
Samuel Caldeira (Duja-Tavira), 2
Tom Veelers (Rabobank), 2
Rony Martias (Bouygues Telecom), 2
Ricardo Serrano (Tinkoff Credit Systems), 2
Stefan Kushlev (Riberalves-Boavista), 1
Fernando Sousa (Madeinox-Bric-Loulé), 1
Nelson Vitorino (Duja-Tavira), 1
Colectivo
LA-MSS, 154
Liberty Seguros, 128
Barloworld, 104
Duja-Tavira, 90
Madeinox-Bric-Loulé, 89
Riberalves-Boavista, 79
Benfica, 62
Milram, 52
Barbot-Halcon, 50
Astana, 44
Rabobank, 38
Caísse D’Epargne, 36
Discovery Channel, 32
Euskaltel-Euskadi, 30
Andalucia-CajaSur, 28
Vitória-ASC, 25
Fuerteventura-Canarias, 20
Fercase-Paredes Rota dos Móveis, 20
Gerolsteiner, 18
Française des Jeux, 18
Cofidis, 16
T-Mobile, 16
Predictor-Lotto, 12
Relax-Gam, 10
Quickstep-Innergetic, 8
Agritubel, 6
Karpin-Galicia, 6
Extremadura-Spiuk, 6
Unibet.com, 4
Cerâmica Flamina, 4
Fonotel-Residencial O Braga-Lourinhanense
Tinkoff Credit Systems, 2
Wiesenhof Felt, 2
Bouygues Telecom, 2
A nível individual, o comando continua a pertencer a Javier Benitez (Benfica), mas o destaque vai para a entrada de David Blanco para os três primeiros, mercê do seu triunfo no GP Paredes Rota dos Móveis. Também digno de registo é o posicionamento de Cândido Barbosa na nona posição, o que se trata de um feito com significado, se tivermos em consideração que o ciclista de Rebordosa começou a época apenas em Abril.
Colectivamente, a LA-MSS saltou para a primeira posição. A Liberty Seguros manteve-se na vice-liderança, ao passo que a Barloworld baixou do primeiro para o terceiro lugar.
Individual
Javier Benitez (Benfica), 56 pontos
Alessandro Petacchi (Milram), 44
David Blanco (Duja-Tavira), 44
Martin Garrido (Duja-Tavira), 35
Robert Hunter (Barloworld), 34
Manuel Cardoso (Riberalves-Boavista), 32
Bruno Neves (LA-MSS), 32
Manuel Vazquez (Andalucia-CajaSur), 28
Cândido Barbosa (Liberty Seguros), 28
Bruno Pires (LA-MSS), 28
Xavier Tondo (LA-MSS), 26
René Hasselbacher (Astana), 24
Igor Anton (Euskaltel-Euskadi), 24
Lars Boom (Rabobank), 24
Tiago Machado (Riberalves-Boavista), 22
Hector Guerra (Liberty Seguros), 22
Manuel Lloret (Fuerteventura-Canarias), 20
Tomas Vaitkus (Discovery Channel), 20
Pedro Soeiro (Barbot-Halcon), 19
César Quitério (Liberty Seguros), 18
Vladimir Karpets (Caísse D’Epargne), 18
Félix Cardenas (Barloworld), 18
André Vital (Madeinox-Bric-Loulé), 18
David Rebellin (Gerolsteiner), 18
Philippe Gilbert (Française dês Jeux), 18
Nuno Marta (Madeinox-Brica-Loulé), 16
Hugo Sabido (Barloworld), 16
Pedro Cardoso (LA-MSS), 15
Francisco Pacheco (Barbot-Halcon), 13
Bernhard Eisel (T-Mobile), 10
Angel Edo (ASC-Vitória), 10
Nuno Ribeiro (Liberty Seguros), 8
Geoffroy Lequatre (Cofidis), 8
Cláudio Faria (LA-MSS), 7
Gert Steegmans (Quickstep-Innergetic), 6
Mikel Gaztanaga (Agritubel), 6
Célio Sousa (Riberalves-Boavista), 6
Haimar Zubeldia (Euskaltel-Euskadi), 6
Win van Huffel (Predictor-Lotto), 6
Roy Sentjens (Predictor-Lotto), 6
Santos Gonzalez (Karpin-Galicia), 6
Frabrizio Guidi (Barloworld), 6
Thomas Ziegler (T-Mobile), 6
Alberto Losada (Caisse D’Epargne), 6
John-Lee Augustin (Barloworld), 6
Danail Petrov (Benfica), 6
Joaquin Sobrino (Relax-Gam), 6
Alexis Rodriguez (Fercase – Paredes Rota dos Móveis), 6
André Cardoso (Fercase – Paredes Rota dos Móveis), 6
José Rodrigues (Vitória-ASC), 5
Pablo Urtasun (Liberty Seguros), 5
Hélder Oliveira (Madeinox-Bric-Loulé), 4
Jimmy Casper (Unibet.com), 4
Alexander Efimkin (Barloworld), 4
Jan Hruska (Relax-Gam), 4
Rik Verbrugghe (Cofidis), 4
Christopher Sutton (Cofidis), 4
Virgílio Santos (Riberalves-Boavista), 4
Amtonio D’Aniello (Ceramica Flaminia), 4
Marco Cunha (Madeinox-Bric-Loulé), 3
Sérgio Sousa (Madeinox-Bric-Loulé), 3
Maarten Wynants ( Quickstep-Innergetic), 2
Jorge Nogaledo (Fercase-Paredes Rota dos Móveis), 2
Olaf Pollack (Wiesenhof Felt), 2
Alejandro Marque (Madeinox-Bric-Loulé), 2
Samuel Caldeira (Duja-Tavira), 2
Tom Veelers (Rabobank), 2
Rony Martias (Bouygues Telecom), 2
Ricardo Serrano (Tinkoff Credit Systems), 2
Stefan Kushlev (Riberalves-Boavista), 1
Fernando Sousa (Madeinox-Bric-Loulé), 1
Nelson Vitorino (Duja-Tavira), 1
Colectivo
LA-MSS, 154
Liberty Seguros, 128
Barloworld, 104
Duja-Tavira, 90
Madeinox-Bric-Loulé, 89
Riberalves-Boavista, 79
Benfica, 62
Milram, 52
Barbot-Halcon, 50
Astana, 44
Rabobank, 38
Caísse D’Epargne, 36
Discovery Channel, 32
Euskaltel-Euskadi, 30
Andalucia-CajaSur, 28
Vitória-ASC, 25
Fuerteventura-Canarias, 20
Fercase-Paredes Rota dos Móveis, 20
Gerolsteiner, 18
Française des Jeux, 18
Cofidis, 16
T-Mobile, 16
Predictor-Lotto, 12
Relax-Gam, 10
Quickstep-Innergetic, 8
Agritubel, 6
Karpin-Galicia, 6
Extremadura-Spiuk, 6
Unibet.com, 4
Cerâmica Flamina, 4
Fonotel-Residencial O Braga-Lourinhanense
Tinkoff Credit Systems, 2
Wiesenhof Felt, 2
Bouygues Telecom, 2
Quinta-feira, Maio 31, 2007
Barloworld no Tour

A organização da Volta a França anunciou ontem as 21 equipas que partirão para a Grande Boucle deste ano. Sem surpresas, a Unibet.com, que está a ser vítima de uma guerra que não é sua, fica de fora. Mais surpreendente, embora não muito, a Barloworld, do português Hugo Sabido, recebeu um convite para participar.
Trata-se de uma boa notícia. Será melhor se Hugo Sabido for um dos escolhidos pelo seu director desportivo, mas, mesmo que o nosso compatriota fique de fora, é muito positiva a participação da Barloworld no Tour. Por vários motivos, um dos quais é o facto de o mérito ser premiado, pois a Barloworld é um conjunto sempre combativo e tem qualidade, como prova a liderança do ranking Continental Europeu.
A outra razão para o meu regozijo tem a ver com a postura da equipa nas corridas em Portugal. A Barloworld é dos poucos grupos desportivos que aborda as provas portuguesas sempre com o máximo de respeito e de ambição. O conjunto tenta sempre ganhar e nunca desiste de dar luta. Aliás, espero que no futuro a Barloworld não venha a sofrer as injustiças que os média nacionais já praticaram no passado.
Em 2005, em plena Volta a Portugal, o russo Vladimir Efimkin foi tratado como alvo a abater... porque lutava pela conquista da corrida com o português Cândido Barbosa. Na altura, a imprensa escolheu tratar a competição velocipédica como se de um desporto colectivo, por selecções nacionais, se tratasse. Ou seja, Cândido era o preferido e Efimkin o adversário, numa espécie de Portugal-Rússia. Esqueceu-se a comunicação social de um pormenor: a Barloworld é uma empresa com interesses e instalações em Portugal e a aposta da sua equipa de ciclismo não é um acaso - é uma parte da estratégia empresarial para o nosso país. Numa modalidade que vive dos patrocínios, há que ter cuidado com estes pormenores. E a Barloworld equipa merece respeito por tudo o que tem feito e por ser também representante de um investimento económico que é feito em Portugal e que emprega trabalhadores nacionais.
Sábado, Maio 26, 2007
A importância da confissão de Riis

Os tempos estão conturbados no ciclismo. Sucedem-se as confissões de recurso a produtos e a métodos proibidos por parte de actuais e ex-ciclistas. Ontem foi a vez do vencedor do Tour de 1996, o dinamarquês Bjarne Riis, assumir que falhou. Trata-se da confissão mais importante de todas. Pela primeira vez, alguém tem a coragem de dizer qualquer coisa como: "Eu ganhei uma corrida sem merecer, porque estava dopado". Apesar de o nórdico não manifestar grande arrependimento e de se ter apresentado com frieza na conferência de imprensa - segundo relata a imprensa -, foi dado por Riis o passo mais importante dos últimos tempos.
Quando um vencedor de uma grande corrida - da maior de todas! - diz alto e bom som que a sua conquista foi fruto da batota, estamos perante o verdadeiro começo do desmoronar do castelo de mentiras em que o ciclismo esteve transformado nos últimos tempos. Só espero que não haja por aí nenhum "engenheiro" que tente evitar a derrocada. Por vezes, os danos estruturais são tão profundos que é preciso demolir para reconstruir. Pelo que nos é dado a ver, o ciclismo está nesse ponto.
Haverá, certamente, vozes que dirão que a modalidade está a ser vítima de um ataque. Outras acrescentarão que todas estas confissões e a sua repercussão mediática estão a ferir, quiçá de morte, o ciclismo. Não faltarão mesmo os que se apressarão a arremessar com as culpas para os adeptos, alegando que estes são hipócritas por quererem espectáculo e, ao mesmo tempo, por exigirem limpeza de procedimentos aos profissionais. Já para não falar naqueles que usarão o estafado argumento de que só se fala no ciclismo quando nas outras modalidades o doping também está presente.
Discordo de todas essas visões. Antes de mais, saber e esmiuçar toda a verdade, seja em que aspecto for da vida, é fundamental. Por muito dolorosa que seja essa verdade. Por outro lado, se todos continuassem a assobiar para o lado, fazendo de conta que não sabiam daquilo que todos nós sabemos que eles sabiam, a realidade seria imutável. O que faz mal ao ciclismo não é saber-se os pormenores da dopagem generalizada. O que prejudica a modalidade é a dopagem. E, não tenhamos ilusões, o recurso a métodos proibidos só será minguado - porque banido totalmente nunca será - quando se dinamitar o sistema reinante.
Por outras palavras, por mais que me esforce, só encontro duas razões que presidam aos lamentos das carpideiras que lamentam o levantar do véu sobre os esquemas mafiosos que vinham (ou vêm?) reinando no ciclismo: ou se trata de não estar a ver bem o problema ou é revolta por perder um modo de vida, porque, não sejamos ingénuos, há quem tenha construído sobre o doping o seu modo de vida e tenha medo de perder tudo.
Para o final deixo a resposta ao argumento segundo o qual a dureza das corridas e a pressão do público e dos média é que obriga os ciclistas a recorrer à batota. Trata-se de meia verdade. É certo que uma corrida de três semanas, com passagens pelos Alpes e/ou pelos Pirenéus não é propriamente um doce para o organismo de qualquer ser humano, ciclista incluído. No entanto, se as etapas tiverem uma quilometragem aceitável e se a esmagadora maioria do pelotão estiver "limpa", não vejo onde está o convite à utilização dos produtos e das técnicas proibidas. É que o espectáculo, montanha acima e montanha abaixo, não se mede pela velocidade com que se sobe. Mede-se pela competitividade entre todos os favoritos. Pelos ataques, capacidades de resposta, contra-ataques. Se isto é feito a 20 à hora ou a 30, é pouco relevante. A beleza do ciclismo reside na capacidade de superação dos seus praticantes, na luta contra os limites físicos de uns e de outros. O espectáculo será o mesmo, quer os limites estejam nos valores que a natureza e o treino oferecem quer estejam nivelados por cima, artificialmente estendidos.
Portanto, aplaudo e fico feliz com os desenvolvimentos recentes das notícias sobre o doping. E a confissão de Bjarne Riis é histórica: alguém ousou dizer que ganhou um Tour à custa de drogas. Estou em crer que o dinamarquês desferiu um rude golpe na hipocrisia reinante... Mesmo que as declarações sobre o seu presente não deixem de cheirar a hipocrisia, mas isso será outra barreira a vencer. Um passo de cada vez e pode ser que cheguemos onde é preciso.
Quando um vencedor de uma grande corrida - da maior de todas! - diz alto e bom som que a sua conquista foi fruto da batota, estamos perante o verdadeiro começo do desmoronar do castelo de mentiras em que o ciclismo esteve transformado nos últimos tempos. Só espero que não haja por aí nenhum "engenheiro" que tente evitar a derrocada. Por vezes, os danos estruturais são tão profundos que é preciso demolir para reconstruir. Pelo que nos é dado a ver, o ciclismo está nesse ponto.
Haverá, certamente, vozes que dirão que a modalidade está a ser vítima de um ataque. Outras acrescentarão que todas estas confissões e a sua repercussão mediática estão a ferir, quiçá de morte, o ciclismo. Não faltarão mesmo os que se apressarão a arremessar com as culpas para os adeptos, alegando que estes são hipócritas por quererem espectáculo e, ao mesmo tempo, por exigirem limpeza de procedimentos aos profissionais. Já para não falar naqueles que usarão o estafado argumento de que só se fala no ciclismo quando nas outras modalidades o doping também está presente.
Discordo de todas essas visões. Antes de mais, saber e esmiuçar toda a verdade, seja em que aspecto for da vida, é fundamental. Por muito dolorosa que seja essa verdade. Por outro lado, se todos continuassem a assobiar para o lado, fazendo de conta que não sabiam daquilo que todos nós sabemos que eles sabiam, a realidade seria imutável. O que faz mal ao ciclismo não é saber-se os pormenores da dopagem generalizada. O que prejudica a modalidade é a dopagem. E, não tenhamos ilusões, o recurso a métodos proibidos só será minguado - porque banido totalmente nunca será - quando se dinamitar o sistema reinante.
Por outras palavras, por mais que me esforce, só encontro duas razões que presidam aos lamentos das carpideiras que lamentam o levantar do véu sobre os esquemas mafiosos que vinham (ou vêm?) reinando no ciclismo: ou se trata de não estar a ver bem o problema ou é revolta por perder um modo de vida, porque, não sejamos ingénuos, há quem tenha construído sobre o doping o seu modo de vida e tenha medo de perder tudo.
Para o final deixo a resposta ao argumento segundo o qual a dureza das corridas e a pressão do público e dos média é que obriga os ciclistas a recorrer à batota. Trata-se de meia verdade. É certo que uma corrida de três semanas, com passagens pelos Alpes e/ou pelos Pirenéus não é propriamente um doce para o organismo de qualquer ser humano, ciclista incluído. No entanto, se as etapas tiverem uma quilometragem aceitável e se a esmagadora maioria do pelotão estiver "limpa", não vejo onde está o convite à utilização dos produtos e das técnicas proibidas. É que o espectáculo, montanha acima e montanha abaixo, não se mede pela velocidade com que se sobe. Mede-se pela competitividade entre todos os favoritos. Pelos ataques, capacidades de resposta, contra-ataques. Se isto é feito a 20 à hora ou a 30, é pouco relevante. A beleza do ciclismo reside na capacidade de superação dos seus praticantes, na luta contra os limites físicos de uns e de outros. O espectáculo será o mesmo, quer os limites estejam nos valores que a natureza e o treino oferecem quer estejam nivelados por cima, artificialmente estendidos.
Portanto, aplaudo e fico feliz com os desenvolvimentos recentes das notícias sobre o doping. E a confissão de Bjarne Riis é histórica: alguém ousou dizer que ganhou um Tour à custa de drogas. Estou em crer que o dinamarquês desferiu um rude golpe na hipocrisia reinante... Mesmo que as declarações sobre o seu presente não deixem de cheirar a hipocrisia, mas isso será outra barreira a vencer. Um passo de cada vez e pode ser que cheguemos onde é preciso.
Foto: daqui
Quinta-feira, Maio 24, 2007
Palpites a meio do Giro
A 90ª edição da Volta a Itália vai a meio e entrou, por estes dias, na sua fase decisiva. As etapas mais fáceis estão para trás e começa agora a tomar forma aquilo que se sabia desde início: esta é uma corrida para trepadores.
Até ao momento, Danilo di Luca tem estado intratável. Ganhou avanço logo de início, no contra-relógio colectivo, e somou segundos de vantagem em todas as etapas duras já vencidas. Por tudo isto, assume-se como o grande favorito.
No entanto, estou céptico em relação corredor da Liquigas. Tenho o palpite de que não aguentará o ritmo durante as três semanas. Estou convencido de que entrará em perda, não conseguindo a camisola rosa final.
No cenário dos meus palpites, há dois ciclistas que discutirão a vitória. O sempiterno Gilberto Simoni (Saunier Duval) e o seu rival Damiano Cunego (Lampre). Gostaria que vencesse Simoni. A ver vamos.
Até ao momento, Danilo di Luca tem estado intratável. Ganhou avanço logo de início, no contra-relógio colectivo, e somou segundos de vantagem em todas as etapas duras já vencidas. Por tudo isto, assume-se como o grande favorito.
No entanto, estou céptico em relação corredor da Liquigas. Tenho o palpite de que não aguentará o ritmo durante as três semanas. Estou convencido de que entrará em perda, não conseguindo a camisola rosa final.
No cenário dos meus palpites, há dois ciclistas que discutirão a vitória. O sempiterno Gilberto Simoni (Saunier Duval) e o seu rival Damiano Cunego (Lampre). Gostaria que vencesse Simoni. A ver vamos.
Quarta-feira, Maio 23, 2007
Ano negro dá que pensar
Este ano está a ser dos mais terríveis em termos de casos de doping e correlativos no ciclismo. A nível internacional, é o que se sabe, com as situações de Jan Ullrich e de Ivan Basso a tomarem a dianteira em termos de impacto. Em Portugal, Sérgio Ribeiro foi apanhado com EPO no organismo e uma série de ciclistas viram-se envolvidos em casos que, não sendo de controlo positivo, acabam por deixar alguma suspeição no ar.
Logo no princípio da temporada, Samuel Caldeira e Daniel Petrov, ambos da Duja-Tavira, foram considerados inaptos para a competição, após testes sanguíneos. Duas semanas depois recuperaram as licenças, mas a imagem de ambos e, por arrasto, da modalidade não ficou incólume.
Hoje, a imprensa revela que seis outros elementos do pelotão nacional estão em risco de suspensão. André Vital, Sérgio Sousa e Hélder Oliveira (Madeinox-Bric-Loulé), Micael Isidoro (Vitória-ASC), Cláudio Faria (LA-MSS) e Paul Sneeboer (Duja-Tavira) escaparam a um controlo fora de competição e, ao que parece, não conseguiram justificar devidamente essa falta. Diga-se que, na altura, antes da Volta a Portugal de 2006, Cláudio Faria corria na Madeinox e Micael Isidoro na Riberalves-Alcobaça.
Esta situação levanta uma questão sobre os direitos dos ciclistas, que, por serem desportistas profissionais, não deixam de ser cidadãos. Os corredores, assim como outros atletas profissionais, são obrigados a declarar onde estarão a viver e a treinar para que possam ser controlados fora das corridas. A Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais contesta esta medida, alegando que é posto em causa o direito dos seus associados à privacidade. Tem razão. Mas nisto do Direito há sempre direitos conflituantes, não sendo nenhum absoluto. A questão que se põe é a de saber se deve prevalecer a privacidade ou a luta contra a dopagem. Na minha opinião, até para defesa da saúde dos ciclistas e de outros desportistas, a luta contra o doping deve sobrepor-se. E, se assim vier a ser entendido pelas entidades que estão a analisar o caso, os corredores em causa têm de ser suspensos. Custa-me que isso suceda, mas penso que será o mais justo.
Outra questão colocada pelo caso destes seis ciclistas diz respeito a um velho argumento do meio velocipédido, o de que o ciclismo é a modalidade mais controlada. Pelo que se tem visto, o doping é cada vez mais uma estratégia usada fora da competição. Ora, neste aspecto não sei qual será a modalidade mais controlada. Se calhar, não é o ciclismo o desporto com malha mais apertada. E, se calhar e infelizmente, é, pelo contrário, mesmo a modalidade em que o uso de substâncias e de métodos proibidos está mais arreigado.
Vale a pena reflectir nisto tudo que se está a passar nesta ano negro.
Logo no princípio da temporada, Samuel Caldeira e Daniel Petrov, ambos da Duja-Tavira, foram considerados inaptos para a competição, após testes sanguíneos. Duas semanas depois recuperaram as licenças, mas a imagem de ambos e, por arrasto, da modalidade não ficou incólume.
Hoje, a imprensa revela que seis outros elementos do pelotão nacional estão em risco de suspensão. André Vital, Sérgio Sousa e Hélder Oliveira (Madeinox-Bric-Loulé), Micael Isidoro (Vitória-ASC), Cláudio Faria (LA-MSS) e Paul Sneeboer (Duja-Tavira) escaparam a um controlo fora de competição e, ao que parece, não conseguiram justificar devidamente essa falta. Diga-se que, na altura, antes da Volta a Portugal de 2006, Cláudio Faria corria na Madeinox e Micael Isidoro na Riberalves-Alcobaça.
Esta situação levanta uma questão sobre os direitos dos ciclistas, que, por serem desportistas profissionais, não deixam de ser cidadãos. Os corredores, assim como outros atletas profissionais, são obrigados a declarar onde estarão a viver e a treinar para que possam ser controlados fora das corridas. A Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais contesta esta medida, alegando que é posto em causa o direito dos seus associados à privacidade. Tem razão. Mas nisto do Direito há sempre direitos conflituantes, não sendo nenhum absoluto. A questão que se põe é a de saber se deve prevalecer a privacidade ou a luta contra a dopagem. Na minha opinião, até para defesa da saúde dos ciclistas e de outros desportistas, a luta contra o doping deve sobrepor-se. E, se assim vier a ser entendido pelas entidades que estão a analisar o caso, os corredores em causa têm de ser suspensos. Custa-me que isso suceda, mas penso que será o mais justo.
Outra questão colocada pelo caso destes seis ciclistas diz respeito a um velho argumento do meio velocipédido, o de que o ciclismo é a modalidade mais controlada. Pelo que se tem visto, o doping é cada vez mais uma estratégia usada fora da competição. Ora, neste aspecto não sei qual será a modalidade mais controlada. Se calhar, não é o ciclismo o desporto com malha mais apertada. E, se calhar e infelizmente, é, pelo contrário, mesmo a modalidade em que o uso de substâncias e de métodos proibidos está mais arreigado.
Vale a pena reflectir nisto tudo que se está a passar nesta ano negro.
Domingo, Maio 20, 2007
GP Paredes Rota dos Móveis - Análise

A 2ª edição do Grande Prémio Paredes Rota dos Móveis chegou hoje ao fim, consagrando o galego David Blanco (Duja-Tavira) como vencedor. A estreia desta competição como internacional fica para a história como uma corrida que veio confirmar alguns aspectos que começam a fazer regra na época 2007 do ciclismo português.
Mais uma vez, os ciclistas nacionais não conseguiram ganhar uma corrida internacional disputada no nosso país. No entanto, pela primeira vez nesta temporada, a vitória sorriu a um ciclista de uma equipa nacional. É um avanço.
A equipa mais forte do pelotão luso, o Benfica, continua com resultados sofríveis. Sem o sprinter Javier Benitez em prova, os encarnados passaram praticamente despercebidos. A situação ameaça tornar-se preocupante, até porque o conjunto da Luz é aquele que tem o melhor colectivo e alguns dos melhores valores individuais. Apesar disso, os resultados continuam por aparecer. O décimo lugar de Danail Petrov sabe a pouco e o penúltimo posto na classificação colectiva cheira a humilhação.

Mais uma coincidência com corridas passadas diz respeito à LA-MSS. Tal como na Volta ao Alentejo, os comandados de Manuel Zeferino deram tudo para conquistar a vitória e, também como na Alentejana, o campeão nacional Bruno Pires foi o melhor na etapa mais dura, mas esse ataque final foi insuficiente para desalojar o líder do posto de comando. Ficou a etapa ganha e o primeiro lugar na classificação colectiva.

A grande novidade face a corridas recentes foi a incapacidade dos conjuntos estrangeiros para manifestarem superioridade. É certo que Mikel Gaztanaga (Agritubel) venceu a tirada inicial - após desclassificação dos dois primeiros, Mikhaylo Khalilov (Ceramica Flaminia) e Cândido Barbosa (Liberty Seguros) - e andou de amarelo dois dias, mas pouco mais conseguiu fazer a armada forasteira. A equipa Pro Tour, Euskaltel-Euskadi, ainda lutou pela vitória e colocou dois homens nos dez mais, mas ficou-se por aí o brilho estrangeiro.
Cândido Barbosa, a correr em casa e apontado como um dos principais favoritos, conseguiu vencer a segunda etapa, ao sprint, mas claudicou nas ligações mais duras e decisivas. A falta de quilómetros nesta temporada fez-se sentir. Quem também correu em casa foram os homens da Fercase - Paredes Rota dos Móveis, sempre envolvidos em fugas e na luta pela camisola da montanha, que acabariam por conquistar, por intermédio do espanhol Alexis Rodriguez. Outro paredense a merecer elogios foi André Cardoso, melhor jovem em prova.
Para o fim, fica o elogio para David Blanco. O galego da Duja-Tavira mostrou a classe que lhe valeu, em 2006, a vitória na Volta a Portugal. Numa equipa a precisar de resultados para justificar o aumento do investimento do patrocinador, a vitória de David Blanco neste Grande Prémio cai que nem sopa no mel. Mérito para o ciclista e para a sua equipa.
No mais, as restantes equipas não conseguiram desempenhos brilhantes. Estamos na altura da época de mudança de forma e aqueles que começaram em força - Riberalves-Boavista e Madeinox-Bric-Loulé, por exemplo - estão agora a entrar em descompressão, para subirem os níveis mais para diante, em vésperas da Volta. Daí que se compreenda que boavisteiros e louletanos não tenham feito uma grande corrida. Menos compreensível é a continuação da discrição de benfiquistas e dos elementos do Vitória-ASC. A Liberty venceu uma etapa e colocou dois homens no top 10. Menos mal.
Fotos: PAD/JLS
Sábado, Maio 19, 2007
Venha de lá essa corrida Pro Tour
O debate sobre a organização em Portugal de uma corrida do calendário Pro Tour está relançado. Parece que tudo foi espoletado por declarações do Joaquim Gomes. A minha opinião sobre o assunto é muito clara: venha de lá essa corrida, que muita falta faz ao ciclismo português.
É certo que algumas vozes de imediato se levantam, quando surge esta discussão, alegando que temos poucas equipas que possam participar numa corrida dessas e que, por isso, é dinheiro deitado ao lixo. Este é um argumento de vistas curtas. Por essa ordem de ideias não se organizava o Estoril Open, porque não temos tenistas de qualidade suficiente para ombrear com os melhores nem se organizariam outros eventos por motivos similares. Pensar desta forma é não entender o mundo em que vivemos.
Na sociedade actual, os desportos no global e cada uma das competições em particular, são produtos comerciais. É duro e feio, mas é assim mesmo. O mundo do desporto vive em competição, não só desportiva mas também empresarial. E o ciclismo é das modalidades que pior se tem adaptado a esta realidade. Isso nota-se a dois níveis, que estão interligados.
Por um lado, o público da modalidade tem decrescido e envelhecido. Por outro lado, o espaço mediático do ciclismo - essencial para viabilizar financeiramente as corridas e a própria modalidade - tem encolhido. Em contrapartida, outros desportos têm sabido "vender-se", aumentando o seu público e ocupando mais atenção mediática. Além disso, há uma série de modalidades emergentes que captam cada vez mais interesse. No meio disto tudo, o ciclismo, acossado por sucessivos escândalos de doping e incapaz de renovar-se e de reinventar-se, está a ficar cada vez mais na cauda do imenso pelotão de desportos. Em Portugal, ainda mais do que noutros países da Europa.
O Pro Tour, estou convencido, está condenado a morrer. Mas, por enquanto, é a arma máxima que o ciclismo tem para competir com os outros desportos na esfera mediática. Estando a velocipedia portuguesa a precisar de um choque de motivação e de protagonismo, devemos desprezar a oportunidade de visibilidade e de propaganda para a modalidade que se obteria com a organização no nosso país de uma corrida Pro Tour? Não me parece.
É certo que algumas vozes de imediato se levantam, quando surge esta discussão, alegando que temos poucas equipas que possam participar numa corrida dessas e que, por isso, é dinheiro deitado ao lixo. Este é um argumento de vistas curtas. Por essa ordem de ideias não se organizava o Estoril Open, porque não temos tenistas de qualidade suficiente para ombrear com os melhores nem se organizariam outros eventos por motivos similares. Pensar desta forma é não entender o mundo em que vivemos.
Na sociedade actual, os desportos no global e cada uma das competições em particular, são produtos comerciais. É duro e feio, mas é assim mesmo. O mundo do desporto vive em competição, não só desportiva mas também empresarial. E o ciclismo é das modalidades que pior se tem adaptado a esta realidade. Isso nota-se a dois níveis, que estão interligados.
Por um lado, o público da modalidade tem decrescido e envelhecido. Por outro lado, o espaço mediático do ciclismo - essencial para viabilizar financeiramente as corridas e a própria modalidade - tem encolhido. Em contrapartida, outros desportos têm sabido "vender-se", aumentando o seu público e ocupando mais atenção mediática. Além disso, há uma série de modalidades emergentes que captam cada vez mais interesse. No meio disto tudo, o ciclismo, acossado por sucessivos escândalos de doping e incapaz de renovar-se e de reinventar-se, está a ficar cada vez mais na cauda do imenso pelotão de desportos. Em Portugal, ainda mais do que noutros países da Europa.
O Pro Tour, estou convencido, está condenado a morrer. Mas, por enquanto, é a arma máxima que o ciclismo tem para competir com os outros desportos na esfera mediática. Estando a velocipedia portuguesa a precisar de um choque de motivação e de protagonismo, devemos desprezar a oportunidade de visibilidade e de propaganda para a modalidade que se obteria com a organização no nosso país de uma corrida Pro Tour? Não me parece.
Quinta-feira, Maio 17, 2007
Acusação grave
O jornal A Bola revela hoje aquilo de que já todos suspeitávamos: o motivo do despedimento de Sérgio Ribeiro pelo Benfica foi o consumo de substâncias dopantes. O diário lisboeta pormenoriza: Sérgio Ribeiro acusou EPO num controlo fora de competição.
O Benfica afirma nada ter a acrescentar relativamente ao lacónico comunicado em que anunciou a rescisão com o corredor por este ter desrespeitado o código de ética, sublinhando que o próprio atleta admitiu os erros cometidos.
Sérgio Ribeiro remete-se ao silêncio, mas promete um comunicado, assim que o processo em curso na Federação Portuguesa de Ciclismo esteja concluído. Quem vai mais longe é o presidente da Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais (APCP), Paulo Couto.
«Estamos a dar o nosso total apoio ao Sérgio e estamos com ele nestes momentos difíceis por que está a passar. Poderia dizer mais alguma coisa, mas agora vou ficar por aqui. Ninguém vai acreditar que é apenas o corredor que está envolvido na situação», declara Paulo Couto.
A última frase do dirigente da APCP é uma acusação gravíssima. Paulo Couto diz - e não é tão nas entrelinhas como isso - que a equipa tem responsabilidades no caso. Trata-se, repito, de uma acusação gravíssima que não pode ficar a pairar. Ou é confirmada ou é desmentida. É certo que quem acusa é que tem o ónus da prova, portanto caberá à APCP e, eventualmente, a Sérgio Ribeiro dizer mais qualquer coisa.
O Benfica afirma nada ter a acrescentar relativamente ao lacónico comunicado em que anunciou a rescisão com o corredor por este ter desrespeitado o código de ética, sublinhando que o próprio atleta admitiu os erros cometidos.
Sérgio Ribeiro remete-se ao silêncio, mas promete um comunicado, assim que o processo em curso na Federação Portuguesa de Ciclismo esteja concluído. Quem vai mais longe é o presidente da Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais (APCP), Paulo Couto.
«Estamos a dar o nosso total apoio ao Sérgio e estamos com ele nestes momentos difíceis por que está a passar. Poderia dizer mais alguma coisa, mas agora vou ficar por aqui. Ninguém vai acreditar que é apenas o corredor que está envolvido na situação», declara Paulo Couto.
A última frase do dirigente da APCP é uma acusação gravíssima. Paulo Couto diz - e não é tão nas entrelinhas como isso - que a equipa tem responsabilidades no caso. Trata-se, repito, de uma acusação gravíssima que não pode ficar a pairar. Ou é confirmada ou é desmentida. É certo que quem acusa é que tem o ónus da prova, portanto caberá à APCP e, eventualmente, a Sérgio Ribeiro dizer mais qualquer coisa.
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