Terça-feira, Outubro 31, 2006

Ainda sou do tempo em que as fotos eram em papel (5)


Joaquim Gomes comanda um grupo no Grande Prémio de Gondomar de 2002, última prova de estrada em que participou o campeão alfacinha.

Quarta-feira, Outubro 25, 2006

Como é possível?

A Volta a Portugal deste ano foi considerada, por todos os analistas que tive oportunidade de ler, a melhor dos últimos anos. Todos sem excepção defenderam que o percurso escolhido permitiu uma prova cheia de emoção, competitividade e espectáculo. Ou seja, Joaquim Gomes e a sua equipa lograram organizar uma corrida fabulosa.
Apesar disso e prosseguindo numa linha crítica notória desde que o seu jornal deixou de ser o órgão oficial das corridas da PAD, o jornalista Fernando Emílio faz n' A Bola de hoje um ataque fortíssimo à organização da Volta a Portugal deste ano. Optando por valorizar os pormenores mais tecnicistas do que propriamente técnicos, aquele jornalista desanca na corrida maior do nosso calendário.
Como é possível, num ano em que a Volta fez uma magnífica propaganda à modalidade, arrasar daquela forma a prova?
Lendo a prosa de Fernando Emílio, quase se constata que o calendário português de 2006 foi quase todo de grande nível, menos a Volta a Portugal... Eu é que estou de fora, a escrever sem acompanhar as corridas por dentro, mas quer-me parecer que a visão desfocada não será a minha.

Domingo, Outubro 22, 2006

Suspeições

Volta e meia, surge mais uma polémica tentando envolver Lance Armstrong em casos de doping. Perante cada uma das novas supostas revelações, há reacções distintas. De um lado, aqueles que se recusam a aceitar que o estadunidense possa alguma vez ter usado substâncias e/ou métodos ilegais e que nem se dão ao trabalho de procurar ouvir/ler as teses contrárias. Do outro lado, há aqueles que suspiram por cada nova teoria, salivando de raiva e inveja perante a possibilidade de verem um grande campeão a ser desmascarado em público.
Já eu sou uma espécie de terceira via. Estou longe de recusar que Lance Armstrong se tenha dopado. Mas também sou suficientemente cépitco para perceber que não faltarão charlatões, querendo ganhar dinheiro à custa de associar duas palavras que, aparentemente, são uma fórmula de sucesso comercial: Armstrong e doping.
Ou seja, não faço puto de ideia se o novo livro, LA Oficial, traz alguma revelação de peso sobre o alegado consumo de produtos proibidos por parte do heptavencedor do Tour. Mas não tenho dúvidas de uma coisa: não é normal um ciclista vencer sete voltas a França seguidas, com a facilidade que se sabe. Como nunca acreditei em super-heróis, estou tentado a crer que falta aos amantes do ciclismo saber parte da História. Uma parte muito importante. Só que, repito, não sei se é este livro que fará luz. Aliás, desconfio que não.
Voltando às minhas suspeitas. Posso estar a ser muito injusto, mas uma coisa é certa: alguém ficou surpreendido com as revelações da Operação Puerto? Alguém que acompanha o ciclismo achou estranho a existência de uma rede global de dopagem? Parece-me que não. Ora bem: se os grandes adversários de Armstrong até estariam envolvidos na rede de Eufemiano Fuentes e perdiam para o americano, só temos duas hipóteses: ou Armstrong é mesmo um super-homem ou então estava tão ou mais dopado do que os outros.
Por fim, não aceito a ideia de que remexer no assunto é tratar mal o ciclismo e um dos seus ídolos. O ciclismo precisa de homens comuns, desportistas humanos que vençam, percam, suem, chorem, ganhem, sangrem, riam... Não precisam de autómatos duvidosos.

Quarta-feira, Outubro 11, 2006

Ainda sou do tempo em que as fotos eram em papel (4)


Confesso que nunca fui grande admirador de sprinters. Sempre preferi trepadores. No pelotão nacional, o único terminador que alguma vez me disse alguma coisa é este senhor da imagem, Paulo Pinto. A foto foi colhida junto à Câmara da Maia, antes de uma partida de etapa de uma prova que não me lembro qual era (Maia-Mirandela-Maia?), em 1994, ano em que os maiatos se estrearam no pelotão nacional.

Terça-feira, Outubro 10, 2006

Ainda sou do tempo em que as fotos eram em papel (3)


O pelotão é comandado pelo boavisteiro Alberto Amaral, um dos melhores gregários portugueses da década passada e que, além de trabalhar para os companheiros, viria a tornar-se num dos mais fortes contra-relogistas lusos. Alberto Amaral é seguido de um companheiro de equipa e outro ciclista capaz de vencer corridas, apesar de ter dedicado grande parte da carreira a trabalhar para os chefes-de-fila. Trata-se de João Silva.
Esta imagem, na subida da Rua dos Clérigos, no Porto, mostra a ambição do conjunto de José Santos nesta prova, o campeonato nacional de estrada de 1993. Tratava-se de um percurso duro, que poderia ser a oportunidade de Joaquim Gomes juntar ao palmarés um dos poucos, senão o único, título que lhe faltava, o de campeão nacional. Apesar do esforço dos boavisteiros, a camisola de campeão foi para o corpo de Raúl Matias, na altura a correr no modesto Carnide.
Uma nota final para o traçado desta corrida. O pelotão atravessava toda a cidade do Porto, subindo da Ribeira aos Clérigos, descendo toda a Avenida da Boavista e percorrendo a Circunvalação do Castelo do Queijo ao Freixo. A meta estava instalada na zona da Batalha, perto do antigo Governo Civil. As saudades que tenho de ver uma corrida a rasgar toda a cidade do Porto!

Segunda-feira, Outubro 09, 2006

Ainda sou do tempo em que as fotos eram em papel (2)


José Santiago felicita Joaquim Gomes, após a vitória deste na Volta a Portugal do Futuro. Imagem colhida em Setembro de 1993, em Santo Tirso.

Domingo, Outubro 08, 2006

Ainda sou do tempo em que as fotos eram em papel (1)


Esta é a primeira corrida que me lembro de ir ver. Tinha eu 3 anos. Não sei se se trata da Volta a Portugal, mas suponho que sim, dado que no verso da fotografia está carimbada a data de Agosto de 1981. O pelotão, a passar pela Estrada Nacional 105, na Travagem, perto de onde vivo, era comandado por António Alves (FC Porto).

Quinta-feira, Outubro 05, 2006

Defeso agitado

A próxima época velocipédica promete. Os jornais, apesar do defeso, continuam a publicar umas linhas, quando não páginas inteiras sobre a modalidade. É algo a que não estamos acostumados em Portugal. O anunciado regresso do Benfica ao ciclismo é a causa principal de tão grande afã noticioso. Mas as movimentações que se têm vindo a revelar são ainda mais profundas, embora possam ter origem no esperado regresso do clube da Luz.
Até ver, faltando ainda um patrocinador que suporte os 5 milhões de euros apontados com orçamento do Benfica, o regresso deste grande ao ciclismo é apenas uma operação mediática. Mas muito bem montada, diga-se. Contratações como as de José Azevedo, Sérgio Ribeiro e Danail Petrov são de molde a abanar as estruturas da modalidade. No entanto, a promessa é bem maior: passa por correr, para ganhar, no estrangeiro e por montar um projecto de médio/longo prazo. Parece tudo tão perfeito que eu continuo como São Tomé: ver para crer. É certo que o João Lagos e o Orlando Rodrigues não são qualquer Madaleno nem qualquer Natalino, mas continuo sem ver o patrocinador. Será que há mesmo? Será que haverá? Será que se não houver será o próprio João Lagos a avançar com o dinheiro? As dúvidas são tantas que desconfio muito do projecto Benfica. Oxalá me engane...
Com a intensidade desta campanha mediática, a modalidade conquistou visibilidade. Isso, por si só, é um ganho. Ainda que pequeno, caso o Benfica não passe de um sonho. E esse crescendo de visibilidade será o responsável pelas movimentações no mercado. Movimentações, aliás, inauditas na última década do ciclismo luso. Dois patrocinadores resolveram abandonar as respectivas equipas para se juntarem a outras. A Riberalves muda-se para o Boavista, ao passo que a LA Alumínios deixa a equipa da qual foi fundadora para se aliar à sua maior rival, a Maia. À nossa escala, é o mesmo que a CSC passar-se para a Discovery Channel, por exemplo.
Outro caso curioso é o da Madeinox, cujo patrão terá descoberto o filão publicitário da imprensa e terá percebido que é tanto mais importante aparecer fora da estrada como nos pódios das corridas. Vai daí, armou barraca antes da última Volta ameaçando não alinhar à partida, como se alguém acreditasse que um patrocinador prescindisse da visibilidade da principal corrida. Durante a Volta, terá feito saber que estaria disposto a juntar-se a um relançamento do FC Porto, que tomaria conta da estrutura da Maia. Afinal, parece que irá fundir duas equias: a Madeinox-Bric com o Loulé.
Um dos mais antigos investidores na modalidade, o construtor civil dono da ASC, parece também estar a sonhar alto. Entre contratações dadas como certas - José Rodrigues, ex-Boavista - e outras possíveis - David Bernabéu, Juan Gomis e Angel Edo - os vimaranenses querem tornar-se num dos mais fortes conjuntos nacionais.
Até ao momento, acho que há muito fogo de vista. Aguardo pelo dia 18 de Fevereiro de 2007, data do arranque da temporada nacional para ver se o ciclismo saiu mesmo reforçado ou se nos andaram a adoçar a boca para depois nos roubarem o rebuçado.